Redes sociais

O lado negro das redes sociais


As redes sociais vieram alterar completamente o modo como interagimos em sociedade, permitindo-nos conhecer pessoas que dificilmente encontraríamos antes e fazendo da partilha de experiências e conteúdos uma parte importante das nossas vidas. Mas as redes sociais também têm um lado negro.

Uma rapariga norte-americana colocou um post no Facebook a oferecer mil dólares a quem matasse o seu ex-namorado e pai do seu filho, tendo recebido uma resposta a afirmar que o faria. Corey White, de 22 anos, foi alvejado e morto a semana passada. O homem que disse que o mataria e a namorada foram presos e acusados de planejamento (planeamento) de homicídio e e de conspiração criminosa.

garota-espancada-por-duasHá uns meses, três adolescentes portugueses foram presos por terem colocado no YouTube uma agressão a uma rapariga mais nova. Duas garotas foram detidas pelas agressões e um jovem por ter filmado a cena sem intervir e por ter colocado a agressão no Youtube.

distúrbios em LondresEsta semana, um tribunal de Londres decretou a pena de quatro anos de prisão a dois jovens por terem criado páginas em que apelavam aos motins que recentemente abalaram Londres.

As redes sociais têm um lado negro e estes são apenas casos extremos. Elas são uma das principais ferramentas de pedôfilos para aliciar adolescentes e pré-adolescentes e são ainda um dos instrumentos utilizados no bulling psicolôgico. E, claro, são utilizadas por cibercriminosos em esquemas fraudulentos e roubo de dados de usuários. Aliás, as empresas de segurança afirmam que as redes sociais já ultrapassaram o email como alvo principal deste tipo de ações criminosas.

Era inevitável que um instrumento de contato tão poderoso e com tantos milhões de usuários fosse utilizado para atividades criminosas. mas convém refletirmos um pouco sobre que atividades são mesmo criminosas e quais as que apenas colocam em causa a ordem vigente.

Liberdade e censura

Os casos que mostrámos são, na sua maioria, claramente criminosos e não há dúvidas quanto à necessidade de inculpar os seus responsáveis. Mas, e quanto aos dois ingleses que criaram páginas no Facebook a apelar aos distúrbios em cidades inglesas?

Não conhecemos as páginas, entretanto tiradas do ar, e – consequentemente – não podemos ter uma opinião. Apenas sabemos delas pelas notícias. O que está em causa é saber se apelavam à destruição ou à revolta. São conceitos muito diferentes. A revolta pode ser legítima, já a destruição gratuita não o é.

As redes sociais e as mensagens encritptadas dos Balckberry  tiveram um papel importante nos distúrbios de Londres, que começaram por ser uma reação à morte de uma pessoa pela polícia, passaram pela revolta de jovens sem perspetiva de vida e acabaram em violência.

David Cameron, o chefe do governo britânico, afirmou no Parlamento que pondera interromper o acesso às redes sociais em caso de distúrbios e violência para evitar a sua propagação. O governo de Londres tem reuniões marcadas com a Twitter, Facebook e Blackberry para estudar o assunto. A Facebook já confirmou ter cancelado páginas que considerou constituir “uma ameaça séria”.

A revolta árabe

Voltemos atrás no tempo, aos primeiros dias do ano, quando jovens tunisinos espantaram o mundo ao conseguir derrubar o ditador pacificamente e lançaram a centelha para a revolta no mundo árabe.

Com objetivos perfeitamente diferentes – antes de mais porque tinham um objetivo – as revoltas no mundo árabe no início do ano também só foram possíveis porque os manifestantes tiveram à sua disposição as redes sociais como meio de mobilização.

Combinando locais de manifestação, trocando notícias e mantendo o ânimo, as redes sociais foram um instrumento fundamental para levar a bom porto as revoluções tunisina e egípcia e por isso mesmo foram alvo dos governos.

Tweets from Tahrir: livro reúne posts da revolução egípciaO governo de Hosni Mubarak cortou o acesso à internet no país quando se apercebeu que os jovens da Praça Tahrir constituíam uma ameaça séria ao seu reinado. Com a ajuda de jornalistas – primeiro – e das empresas que fornecem o serviço, as redes sociais conseguiram furar o bloqueio e levar até ao fim a revolta.

Do ponto de vista dos governantes, a medida que tomaram era legítima uma vez que se estava perante um ataque à ordem estabelecida. Mas do ponto de vista dos manifestantes – alicerçados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos – o impedimento do acesso à internet e às redes sociais foi uma manobra inibidora da sua liberdade.

A internet – e consequentemente as redes sociais – são um espaço de liberdade. O que foi escrito na primeira página da internet continua a ser verdade e é facilmente extrapolado para as caraterísticas próprias das redes sociais: a World Wide Web tem por objetivo “dar acesso universal a um universo de documentos”.

Daí o interesse dos governos em conseguir um controle da internet. As ditaduras – e mesmo os governos das democracias – vêem as redes sociais como um universo que não conseguem controlar e procuram encontrar formas mais ou menos veladas de tentarem ter mão nelas. E estas tentativas são outro dos lados negros das redes sociais.

 

 


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