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Estudo sugere que jogos FPS podem melhorar a visão


A evolução ao nível das novas técnicas de investigação aliadas às mais recentes técnicas de investigação nas áreas tradicionais da ciência, possibilitam estudos inovadores e por vezes surpreendentes. É o caso do estudo que hoje lhe trazemos, e que lhe poderá dar uma boa razão para jogar alguns dos seus títulos favoritos.

Precisa de uma desculpa para “receitar” a si mesmo a sua dose diária de jogos de acção? Então temos uma boa notícia para si. Cientistas demonstraram num estudo publicado recentemente que jogar diariamente videojogos do género First Person Shooters (FPS) pode melhorar a sua visão.

Este estudo foi realizado por cientistas na Universidade de McMaster em pacientes que depois de serem alvos de cirurgias para remoção de cataratas congénitas apresentarem uma visão inferior à escala 20/20 (escala máxima de recuperação). De salientar que dos sete pacientes considerados para o estudo, apenas um tinha antecedentes em já ter experimentado algum tipo de jogo.

A experiência descrita no estudo consistiu em incentivar os pacientes a jogar numa primeira fase 10 horas seguidas num ambiente controlado, e posteriormente 2 horas por dia até acumularem no total 40 horas de jogabilidade. A consola utilizada foi a Playstation 3 e o título FPS usado na experiência foi o Medal of Honor: Airborne.

Quanto aos resultados, os pacientes registaram melhorias significativas em especial no detalhe da sua visão, percepção de movimento e melhoria de visibilidade em condições de baixo contraste. Os mesmos foram ainda capazes de ler até mais uma linha e meia, num teste optometrico de leitura de texto. Para quem já foi a um médico da especialidade, reconhece este teste como sendo uma tela com letras na vertical onde o paciente deve ler da letra maior para a mais pequena.

Um pormenor bastante curioso é que não foi apenas testado este género de jogo. Aliás, os autores do estudo tentaram uma abordagem semelhante com os jogos Tetris e The Sims, e em nenhum dos casos foram observados estes resultados.

Os investigadores deixam em aberto uma questão no estudo. Fica por perceber de forma exacta, e a um nível fisiológico, como os pacientes ao jogar o Medal of Honor conseguiram restituir parte da sua visão. Contudo os autores do estudo avançam a hipótese que a adrenalina libertada pelos pacientes, potencia a criação de outra substância, a dopamina. Esta substância, quando combinada com os níveis de atenção que foram exigidos aos jogadores, num ambiente imersivo como é o Medal of Honor, poderá ter mesmo restaurado ligações visuais perdidas no cérebro.

Este estudo chega a conclusões muito interessantes e decerto pioneiras. Pode mesmo ajudar a mudar a perspectiva que alguns sempre tiveram da indústria de videojogos mais realista. Não é a nossa intenção passar a mensagem que deve usar e abusar deste tipo de jogos. Lembre-se, tudo o que é em excesso não lhe trará benefícios. Contudo, pensamos que uma dose de até 2 horas por dia, como o estudo mostra não irá prejudicar ninguém, aliás… quem sabe se não melhora a sua visão?


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