Atividades fora do departamento de TI ocupam 40% do tempo dos CIOs Notícias

Atividades fora do departamento de TI ocupam 40% do tempo dos CIOs


A CIONET, a maior rede de executivos de TI na Europa, com mais de 4300 CIOs e CTOs, divulgou recentemente o “Accelerating local innovations while boosting global synergies – The 2014 Digital Leadership Report”, um estudo que pretende alertar a comunidade para a evolução no papel dos líderes digitais e para alguns dos principais casos de sucesso. O estudo surge no seguimento do 2014 European CIO of the Year e conta com os casos de sucesso dos 18 finalistas, entre os quais Nuno Miller, ex-CIO da Farfetch e vencedor na categoria Tecnologia, Alexandre Ramos, Diretor de TI da Lusitania, e Rui Gomes, CIO do Hospital Fernando Fonseca E.P.E.

Um dos principais dados estatísticos revelados pelo estudo é o facto de, em 2014, os CIOs Europeus dedicarem em média 40% do seu tempo a trabalho com colegas não-IT, ou seja, de fora do departamento de tecnologias de informação. Entre 45% a 55% das atividades dedicadas à gestão e inovação dos processos de negócio são feitas com colegas não-IT, bem como, em média, 29% do tempo dedicado aos serviços de TICs. Já a inovação de produtos e serviços para o cliente é feita, em média, 41% do tempo com o CIO a trabalhar fora do departamento de IT.

Em 2016, é esperado que 50% dos CIOs foque o seu tempo maioritariamente no redesenho e inovação de processos de negócio e apenas 15% dos CIOs terão um papel primariamente tecnológico, tendo os restantes 35% um papel mais determinante na inovação de produto e na relação com clientes externos.

Cumulativamente, o estudo delineia o perfil dos atuais líderes digitais, definindo o portfolio de competências essenciais. O CIO deve ter três áreas de desenvolvimento, duas verticais e uma horizontal. As competências verticais são: um profundo conhecimento técnico em sistemas de TIC (como arquitetura de negócio, IT gov­ernance, aplicações e segurança); e expertise em negócio (como operação, produto, cliente, mercado e setor). Por outro lado, o seu perfil deve incluir ainda um conjunto de competências horizontais e transversais que se têm revelado cada vez mais importantes: capacidade de motivação, design e usabilidade, negociação e gestão de mudança.

O documento identifica ainda dois dos fatores mais significantes que distinguem as empresas competitivamente ágeis: maturidade das plataformas digitais (coordenação, standardização e partilha de tecnologia, processos de negócio e dados) e Program Management (agrupamento de projetos interdependentes sob a mesma gestão para utilização mais eficiente de recursos).

De acordo com uma outra pesquisa da CIONET em colaboração com a Comissão Europeia, a procura de líderes digitais já excede a oferta e a diferença entre os dois vai aumentar nos próximos anos, com o crescente awareness das empresas para a necessidade de tecnologia mesmo nas pequenas e médias empresas, algumas com departamentos de TIs ainda pouco desenvolvidos ou inexistentes.

Nuno Miller

O estudo conta ainda com 18 casos de sucesso onde se pode ver o exemplo da Iberdrola, da Farfetch ou do ING Belgium. A Iberdrola alcançou poupanças de mais de 12 milhões de Euros e aumentos de 70 milhões de Euros em receitas como resultado de projetos envolvendo o IT do grupo. Nuno Miller, ex-CIO da Portuguesa Farfetch, reforçou a disponibilidade do website de 99,5% para 99,95% e permitiu a capacidade de suporte a um aumento de 300% das visitas do website, com picos de 1000%. Nuno Miller afirma que “para suportar um crescimento de mais de 100% ao ano foi essencial equilibrar a necessidade de rápida resposta a novas oportunidades com a necessidade de ter uma plataforma global eficaz e eficiente”.

Já  Frank Stockx, anterior CIO do ING Belgium afirma que “todas as unidades de negócio têm que ter uma agenda tecnológica”. Nos últimos anos, o banco aumentou o número das transações básicas online para 43%, passando o ónus para o cliente. Günter Weinrauch, ADAC e.V., após poupanças na ordem dos 7 milhões de Euros em 3 anos, explica que “quando o IT identifica uma nova tecnologia promissora, junta-se aos departamentos de negócio relevantes para explorar o seu potencial e avaliar as possibilidades de inovação. O IT é “driver” dos novos tópicos”.

Os resultados deste estudo foram baseados em duas fontes principais: dados de 89 Chief Information Officers (CIOs) de 10 países Europeus e entrevistas a 18 CIOs Europeus (finalistas do 2014 European CIO of the Year).

Leia o estudo estudo completo em http://www.cionet.com/Data/files/groups/Digital%20leadership%20report%202014.pdf


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