Ciência

2 comentários em Estudo relata a evolução de uma nova espécie de sapo venenoso

  1. Carlos Almeida

    Nossa, é por isso que até hoje ninguém conseguiu elaborar um conceito suficientemente abrangente de espécie. […]indivíduos da mesma espécie possuem aparências completamente diferentes[..]. Além disso saiu numa revista científica (um prof falou, mas não lembro) uma matéria de 15 capítulos sobre o conceito de espécie. O cara ficou puto por que leu tudo aquilo e no final dizia que talvez espécies nem existam!! aushaushashaushaushaushah

    Se formos analisar ao pé da letra, espécies não existem mesmo! Não existem dois indivíduos exatamente iguais em tudo, não existem dois do mesmo tipo! O que fazemos é “aproximar” indivíduos com base nas semelhanças mais “gritantes” que encontramos neles. Isso tudo por conta da nossa incessante necessidade de organizar e classificar as coisas!

    Temos três conceitos tipológicos de espécie que permitem que o taxonomista ganhe o pão de cada dia! São os conceitos mais abrangentes que temos até hoje, um cobre as falhas do outro, porém são imiscíveis como água é óleo! Eles são: O biológico, o morfológico e o filogenético ou genealógico.

    Conceito biológico:

    Agrupamentos de populações naturais intercruzantes reprodutivamente isoladas de outros grupos semelhantes (MAYR, 1977)

    Essa é uma das primeiras definições que vem na cabeça das pessoas, no entanto já foram encontrados casos de indivíduos de espécies diferentes que conseguem gerar descendentes férteis. Como o caso das orquídeas das espécies Epidendrum fulgens e Epidendrum puniceolutem que são capazes de cruzar e gerar “híbridos férteis”. Temos o caso do “ligre” híbrido de leão e tigre, como o macho é estéril e a fêmea não, seria possível gerar uma nova espécie se alguém fosse “compatível” com essa fêmea.

    Conceito morfológico

    É o mais usado no estudo de paleontologia, até por que quando se tem fósseis, fica inviável utilizar o conceito biológico de reprodução. As espécies que são definidas com base em características morfológicas são chamadas de morfoespécies ou espécies crípticas. Esse conceito não é tão restrito quanto parece, pois ainda é muito utilizado nas chaves de identificação, nas aulas práticas de zoologia usamos muuuuito as características morfológicas para descobrir a espécie do animal, e conheço pesquisadores que o fazem para caracterizar novas espécies que ainda vivem. As vezes o isolamento reprodutivo se dá por uma mera modificação morfológica nos órgão genitais dos animais, até seria possível uma “fertilização in vitro”, mas isso não ocorre na natureza então já são considerados espécies diferentes com base na morfologia e como o fluxo gênico entre eles para, no futuro vai ser gerada uma especiação biológica, pois dando tempo ao tempo as populações com morfologias de genitais diferentes vão mudar tanto que nem uma “fertilização in vitro” seria possível.

    Conceito Filogenético

    Identifica-se as espécies estimando filogenias de populações estreitamente relacionadas encontrando os menores grupos monofiléticos. Esse conceito é muito usado pelo pessoal da bioinformática que sequencia os genomas de várias bactérias e fazem diversas análises estatísticas de comparações que geram uma árvore filogenética dizendo quais bactérias são mais semelhantes entre si. Isso nos dá uma outra visão de espécie, pois as vezes a morfologia é um pouco traiçoeira. Conheço gente que está definindo espécies de aranha com base na sequência de aminoácidos encontrada nos peptídeos do veneno.

    Então está aí, uma salada de frutas para nossas cabeças!!

    Abraços!!

    • Obrigado por abrilhantar o blog com a sua participação, Carlos!
      Estou encantado com a quantidade e qualidade das informações que você forneceu a mim e a todos os leitores!
      Tenho certeza de que sua explicação vai instigar muita gente a estudar a biologia com ainda mais afinco. Novamente, muito obrigado!

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