Ashley Madison dadps de utilizadores revelados Segurança

Ashley Madison: mais de 32 milhões de expectativas de sexo casual reveladas


Ontem, quando acedemos ao site Ashley Madison, recebemos a informação de que existiam mais de 39.170.000 utilizadores. Hoje, são 39.285.000 utilizadores… anónimos (?)

O Ashley Madison dedica-se a promover encontros, oferece serviços de namoro para casados. Promove-se como um dos sites mais bem sucedido para encontrar um caso e parceiros de traição. Até diz ter “um pacote de amantes” que garantem aos seus clientes o caso perfeito.

No entanto, há cerca de um mês atrás, um grupo de hackers, auto-intitulados The Impact Team, conseguiu piratear os dados dos utilizadores do Ashley Madison, proporcionando-lhes novas experiências de vida que nada tinham a ver com as suas fantasias de aventura, traição e sexo casual prometidas pelo serviço.

Também conhecido como o “site da infidelidade”, vamos evitar essa referência, em homenagem a Baptista-Bastos que uma vez disse: “A fidelidade cheira-me a cão”. Nós gostamos de cães, mas o cheiro faz-nos torcer o nariz. Assim como a aventura do sexo casual: gosta-se mas…faz torcer o nariz a muitos. Se se for descoberto até podemos correr o risco de ter mais membros torcidos. Como se pressupõe que para haver infidelidade tem que existir fidelidade, não vamos enveredar para esses odores, muito menos emitir juízos de valor.

Os hackers começaram por revelar os dados do presidente executivo da Avid Life Media, empresa que detém o Ashley Madison. Na terça-feira passada, 32 milhões de contas de utilizadores do site foram tornadas públicas. Dois dias depois, mais uma nova remessa de dados, desta vez respeitantes às movimentações internas da empresa.

O que é verdade é que, se os utilizadores estão receosos e desejam ferozmente um ataque gigantesco que acabe de vez com a Internet a nível mundial, já outros estão expectantes, começam a afiar as foices e as forquilhas para a “caça às bruxas”: desde funcionários da ONU, do Vaticano e 15 mil servidores públicos e militares americanos, ao “cidadão” Josh Duggar, um popular defensor dos direitos da família, todos foram colocados a descoberto.

Quase todos temos curiosidade neste assunto, seja qual for a nossa motivação, este fenómeno revela dados muito interessantes que colocam a descoberto as tendências do comportamento humano, tão naturais e ancestrais como sancionadas socialmente.

Se o choque com tal ataque se prende com a devassa que os hackers cometeram, não falta quem aproveite e crie softwares para verificar quem está na lista revelada, aumentando exponencialmente essa devassa. Outros aproveitam e expõem informações com alguma utilidade e interesse social.

Foi o caso da empresa espanhola Tecnilógica que criou um mapa de registos referentes a utilizadores de mais de 48 países. Esse mapa disponibiliza uma análise estatística de distribuição de utilizadores por cidade e por género.

Tecnilógica mapa ashley madison utilizadores

 

São Paulo é a cidade com o maior número de utilizadores do site, seguida de Nova Iorque.

No entanto até a forma como a espanhola Tecnilógica apresenta os dados – tendo como referência a representatividade masculina – mostra como isto de procurar apimentar uma relação parece ser coisa de homens. Será por isso que o serviço disponibiliza o tal “pacote de amantes”?

A vermelho, estão identificadas as cidades onde mais de 85% dos utilizadores do AM são homens, a amarelo, estão os locais onde os homens estão representados em menos de 85%.

São dados muito vastos, a nível global, e devem ser analisados com precaução, no entanto, podemos ver que na América do Norte coexistem as duas cores, sugerindo uma distribuição homogénea por género, tal como na América do Sul e em especial no Brasil.

Na India, o amarelo predomina: os homens baixam a sua representatividade, o que sugere que as mulheres estão mais representadas do que na maior parte do mapa.

mapa da infidelidade portugal espanhaNo caso de Portugal e Espanha, a procura de sexo casual entre casados parece ser “coisa de homem”, jazendo justiça ao mito do macho latino. Incidindo em Portugal, uma enorme mancha vermelha abate-se sobre o território.

Vejamos alguns valores das nossas principais cidades: no Porto, 89,76% dos utilizadores são homens, em Lisboa, são 91,54%.

Dos locais onde os homens são uma maioria ainda mais esmagadora evidenciamos São Bartolomeu de Messines onde encontramos 95% de homens à procura de uma aventura extra-conjugal!

Relativamente às zonas amarelas, ou seja, aquelas em que o número de mulheres registadas faz diminuir a representatividade masculina, com menos de 85% de homens registados, destacam-se Armação de Pêra, com 66,66% e Santo André com 65%…este é o local, em Portugal, onde as mulheres estão mais representadas!

Mesmo assim, tendo em conta a quantidade de mulheres que se queixa nas séries televisivas, no cinema, na literatura, nos bares e discotecas, da escassez de homens, uma tão fraca adesão de utilizadoras é surpreendente. Por outro lado… não nos parece que a possível revelação de uma utilizadora seja encarada da mesma forma que a de um utilizador.

Quanto às intenções da The Impact Team, direcionam-se no sentido de acusar a empresa de enganar os utilizadores quando promete a total discrição e por outro, denuncia os utilizadores que classifica de “traidores”, que não merecem qualquer discrição.

Em entrevista ao jornal Le Monde, o grupo informou que não se limitaria a sites de encontros e os seus futuros alvos seriam “Qualquer empresa que produz centenas de milhões de lucros sobre a dor dos outros, segredos e mentiras. Talvez os políticos corruptos.”

Este ataque denunciou não só a falta de segurança do site, como a fraude por parte da Avid Life Media que exigia aos seus utilizadores o pagamento de 19€ para apagar os dados, mas nem isso fez.

The Impact Team revela ainda intenções de manter certos limites na sua acção, ao afirmar que não irá publicar conteúdos pornográficos – cerca de um terço dos que recolheram – nem as interacções da maior parte dos trabalhadores da empresa, no entanto… as contas de email dos dirigentes podem vir a ser expostas.

Quanto aos “inquisidores”, esta hipótese de saber quem foram as pessoas dispostas a ter um caso extra-conjugal, parece mais maldosa do que o acto dos hackers e ainda mais assustadora e menos útil. Sempre existiram casos extra-conjugais, bem como várias formas de “viver feliz para sempre”, uns optam pela hipocrisia, outros pelo silêncio, uns conseguem-no de acordo com as normas, outros desafiando-as.

O lema do Ashley Madison: “A vida é curta. Tenha um caso.”, parece-nos infeliz, os países com uma esperança media de vida mais curta não são dos que têm mais utilizadores, por outro lado, na sociedade ocidental a vida cada vez é menos curta: numa altura da História em que vivemos cada vez mais anos, “para sempre” são mesmo muitos anos…para quê vivê-los na mentira e na hipocrisia?


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