1 em cada 10 PME portuguesas não guarda dados digitalmente Segurança

1 em cada 10 PME portuguesas não guarda dados digitalmente, revela estudo


Uma em cada dez pequenas e médias empresas portuguesas confessa que os dados relativos ao seu negócio não estão armazenados digitalmente, revela a 3ª edição do Estudo Zurich PME: Riscos e Oportunidades realizado em 15 países. Estes números vão ao encontro do facto de uma em cada quatro PME portuguesa acreditar que a sua empresa é demasiado insignificante para ser alvo de cibercrime.

O estudo revela ainda que roubo de dados de clientes ou o roubo de dinheiro são os principais receios dos empresários. Ao nível internacional, o roubo de dados de clientes é o aspeto mais apontado pelos empresários – Áustria, Irlanda, Itália e Espanha colocam esta opção na primeira posição.

Por outro lado, os empresários norte-americanos encaram o comércio eletrónico como um dos principais fatores que poderá impulsionar o crescimento das empresas, por isso é natural que revelem maior preocupação com as vulnerabilidades tecnológicas e com o cibercrime do que os seus pares.

Nos últimos três anos, duplicou o número de pequenas e médias empresas ávidas por condições de crédito atrativas. O relatório indica que 22% das PME questionadas referem as condições de crédito atrativas como uma das oportunidades mais importantes para o desenvolvimento do negócio, percentagem que no estudo realizado em 2013 permanecia nos 11%.

Estes dados revelam que as pequenas e médias empresas nacionais aumentaram a necessidade de recorrer ao crédito bancário nos últimos três anos. A redução de custos e despesas (37%) e a aposta em novos segmentos de clientes (30%) são os aspetos mais votados pelos empresários quando se pergunta pelas oportunidades de negócio. Ainda na esfera dos aspetos que as empresas encaram como oportunidades, a eventual aquisição dos concorrentes desceu significativamente desde 2013 de 16% para 9%. A expansão para mercados estrangeiros também sofreu um decréscimo de 4.9 pontos percentuais.

No que diz respeito aos riscos para o negócio, o elevado nível de concorrência e o “dumping” de preços com impacto nas margens de lucro é apontado por 37% dos empresários como o risco mais premente. Seguem-se a inexistência da procura por parte dos consumidores de determinado produto e excesso de stock (30%) e o roubo (19%) como os principais riscos identificados para o negócio. No entanto, o roubo registou a maior descida (menos 13 pontos percentuais) verificada nos últimos três anos. Por outro lado, as preocupações com eventuais danos na reputação da marca e com problemas legais e fiscais cresceram.

Para mais de metade das PME em Portugal, a perda do principal fornecedor não teria qualquer impacto no negócio, uma vez que não dependem de um (único) fornecedor. Mais frequentemente do que na maioria dos países europeus, as PME em Portugal têm vários fornecedores e simplesmente trabalhariam com outro. No entanto, de forma menos frequente do que na maioria dos restantes países, as PME em Portugal não dependem de qualquer fornecedor.

PME internacionais apostam em novos nichos

Em termos internacionais, verifica-se que a aposta em novos segmentos de clientes é a opção que mais países europeus colocam em primeiro lugar quando se discutem oportunidades de negócio (Alemanha, Áustria, Irlanda e Suíça).

O estudo revela que é na Suíça que a corrupção é encarada com maior preocupação pelos empresários (ocupa a sétima posição entre quinze), enquanto em Portugal essa preocupação desce para 13º lugar.

Ao nível global constata-se que os empresários mais otimistas são os norte e latino-americanos. Na Ásia, as PME identificaram a diversificação de produtos e serviços como a principal oportunidade de negócio – numa percentagem mais alta do que em qualquer outra região.

As catástrofes naturais e a imprevisibilidade climatérica fazem parte do top 3 das preocupações dos empresários asiáticos, enquanto na América Latina os incêndios são vistos como uma das principais ameaças ao negócio, ao contrário do resto do mundo.

A nível europeu, os alemães (22%) e austríacos (26%) estão particularmente preocupados com a segurança e saúde de colaboradores e clientes em comparação com outros empresários europeus.

A terceira edição do estudo Zurich foi conduzida pela Gfk em 15 países e aplicada a 3.000 empresários de pequenas e médias empresas (0-250 colaboradores). Em todos os países foram questionadas 200 empresas através dos seus presidentes, diretores-gerais, diretores financeiros ou diretores de operações. Alemanha, Áustria, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Espanha, EUA, Hong Kong, Irlanda, Itália, Malásia, México, Marrocos, Portugal, Suíça e Turquia foram os países auscultados.

Veja os resultados do estudo (PDF)

 


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