O espaço aterrorizante de Alien: a claustrofóbica ameaça de um passageiro

O espaço aterrorizante de Alien: a claustrofóbica ameaça de um passageiro

Anos luz distante do primeiro longa sobre o monstro alienígena mais aterrorizante do espaço – “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979) – este sexto episódio, “Alien Covenant”, também dirigido por Ridley Scott, passa-se dez anos após os últimos acontecimentos de “Prometheus” (2012).

Ano de 2104, a nave Covenant viaja pela Galáxia, com a interplanetária missão de colonizar um novo planeta, Origae-6. À bordo, 17 tripulantes e 2 mil colonos em hibernação. Um acidente cósmico, antecipa o despertar da tripulação – adormecida num sono criogênico -, forçando-os a mudar o rumo da viagem, em busca de abrigo num planeta desconhecido.

O espaço aterrorizante de Alien: a claustrofóbica ameaça de um passageiroComo todo bom filme de ficção científica, há sempre um androide de plantão. O robô da vez – são dois na verdade, – atendem pelo nome de Walter e David (duplamente bem interpretado por Michael Fassbender, com toda sua gama de olhares frios e hipnóticos).

Na falta de uma Sigourney Weaver, é Katherine Waterston quem empunha armas e enfrenta os xenomorfos temperamentais, deixando um rastro de destruição e sangue, em fuga claustrofóbica.

O diretor Ridley Scott, impõe seu preciosismo visual escorreito e impecável, em cada fotograma. O cenário da abertura – arrebatador -, transborda elegância e plasticidade. Scott bebe na própria fonte, recriando uma atmosfera perturbadora, num misto horripilante entre suspense e terror.

Para os fãs da franquia Alien, Ridley Scott já anunciou que pretende continuar a saga e, futuramente, escalar de volta a personagem Tenente Ripley – imortalizada sob o talento da atriz Sigourney Weaver, que deverá ser rejuvenescida através de efeitos visuais.

Um filme que honra seu original, sem deixar de fazer analogias com as questões mais antigas da humanidade: “de onde viemos, quem somos e para onde iremos?” Seus personagens estão em constante dúvidas urgenciais, quanto à criadores e criaturas. Quando seres humanos estão fora do Planeta Terra, quem realmente é o verdadeiro alienígena?

No espaço sideral de Scott, há “espaço” para infinitas dúvidas e uma aterradora certeza: ninguém ouvirá seu pedido de socorro.

Alien Covenant (Estados Unidos/2017)
Nota: 9 (4,5 estrelas)
Direção: Ridley Scott
Elenco: Micheal Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Demián Bichir

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Ivann Willig
tem 46 anos, é gaúcho, nascido em 1970, em Cachoeira do Sul (RS), mora há 30 anos no Rio de Janeiro. Formado em duas faculdades: Artes Cênica (UNI-RIO) & Cinema (UNESA). Dirigiu e roteirizou 4 curtas: “Elas Preferem Jiló”; “Na Hora de Dizer Sim”; “A Idade da Inocência” (com Marcos Caruso e Roberto Bomfim) e “Escolhas” (com Carolina Kasting e Tuna Dwek). Trabalha como jurado de festivais de cinema (Curta Taquary - Pernambuco & Festival de Coremas – Paraíba) Trabalhou em longas metragens como maquiador, entre eles: “Tropa de Elite 1 e 2”, “Cidade dos Homens”, “Romance”...atualmente trabalha como caracterizador assistente em novelas da Globo. Foi crítico de cinema para o site de Portugal: www.clock51.com e de Los Angeles: www.bdci.tv e também para a Revista Preview. Escreveu um livro autobiográfico, intitulado: “Grades do Preconceito”.

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