A Airbus Atlantic oficializou o arranque da expansão da sua unidade industrial em Santo Tirso. O projeto prevê um aumento de 30% da área produtiva até ao final de 2026, uma resposta direta à necessidade de aumentar o ritmo de fabrico de estruturas para as famílias A320 e A350.

Inaugurada há apenas três anos, em setembro de 2022, a fábrica portuguesa ganha agora um novo peso na estratégia global da gigante europeia. A nova infraestrutura acrescentará 5.500 m² aos atuais 20.000 m², reforçando a capacidade de entrega de secções de fuselagem, componentes críticos para a montagem final das aeronaves comerciais mais vendidas da marca.
Crescimento acelerado e impacto local
A decisão da Airbus Atlantic de expandir a fábrica situada na zona industrial da Ermida reflete a pressão positiva sobre a cadeia de abastecimento aeronáutica. Atualmente, a unidade emprega 400 pessoas, destacando-se por uma métrica de paridade de género rara no setor industrial: 50% da força de trabalho na produção é feminina.

Com esta ampliação, a Airbus Atlantic Portugal não só aumenta a sua capacidade instalada num terreno de 7,2 hectares, como também solidifica a posição de Portugal como um hub de competência técnica.
Segundo a empresa, o investimento visa “dar resposta ao crescimento significativo dos programas da Airbus”. Esta movimentação alinha-se com a estratégia da casa-mãe de aumentar as taxas de produção mensal (rate ramp-up) para recuperar os níveis pré-pandemia e satisfazer a extensa carteira de encomendas.
O cluster aeroespacial em Portugal
A expansão em Santo Tirso é um indicador da maturidade do setor em território nacional. A Airbus Atlantic, embora seja uma entidade europeia, criou uma raiz profunda na economia portuguesa nos últimos anos.
Os dados fornecidos pela empresa apontam para um impacto estrutural:
- 1.500 Empregos Diretos: Criados até ao momento em território nacional (em conjunto com a rede de parceiros).
- Rede de Parceiros: Colaboração ativa com mais de 30 empresas portuguesas.
- Cadeia de Valor: Integração da indústria nacional em projetos internacionais de alta complexidade.
Esta simbiose permite que fornecedores locais acedam a contratos de tecnologias de ponta, servindo os interesses estratégicos do país e reforçando a base industrial europeia.
Conclusão
Este anúncio confirma que a aposta da Airbus Atlantic em Portugal ultrapassou a fase experimental. A rapidez com que a unidade de Santo Tirso exige uma expansão física, num intervalo de tempo tão curto desde a abertura, demonstra que a mão de obra portuguesa e a infraestrutura local correspondem aos exigentes padrões de qualidade da aeronáutica global. Resta acompanhar se este crescimento impulsionará também a criação de novos cursos técnicos e engenharia especializada na região norte.
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