Numa era em que a fast fashion banalizou o luxo, vendendo camisolas de “caxemira” a 50 euros à custa de práticas de pastoreio insustentáveis, uma startup decidiu usar a ciência para resolver o problema. A Everbloom, apoiada por mais de 8 milhões de dólares em investimento, criou uma inteligência artificial capaz de um feito de alquimia moderna: transformar resíduos ricos em queratina, como penas de galinha ou desperdícios de lã, num material reciclado que é virtualmente indistinguível da caxemira real.
A inovação central chama-se Braid.AI. Este modelo de ciência dos materiais não se limita a copiar; ele afina parâmetros moleculares para criar fibras com qualidades específicas, replicando desde a suavidade da caxemira até à resistência do poliéster.

Como funciona: do lixo ao luxo
O processo da Everbloom é, na sua essência, uma reciclagem molecular. A empresa recolhe resíduos da cadeia de abastecimento têxtil – restos de caxemira, lã e, futuramente, penas da indústria avícola – que partilham um ingrediente comum: a proteína queratina.
- Recolha e Processamento: Os resíduos são triturados e combinados com compostos proprietários.
- A Magia da Extrusão: A mistura é processada através de máquinas de extrusão de plástico e fiação (as mesmas usadas para fazer poliéster), onde ocorrem as reações químicas necessárias para formar a nova fibra.
- O Toque da IA: A IA Braid.AI ajusta a formulação e o processo das máquinas para garantir que o produto final tem exatamente a textura e as propriedades desejadas.
Biodegradável e sem o “imposto verde”
A grande promessa da Everbloom não é apenas a qualidade, mas a sustentabilidade económica. Sim Gulati, o CEO, rejeita a ideia de um “prémio de sustentabilidade”. O objetivo é que estas fibras recicladas sejam mais baratas do que as opções virgens, tornando a escolha ecológica na escolha lógica para as marcas e consumidores.
Além disso, todos os componentes usados são, alegadamente, biodegradáveis, oferecendo uma solução para o problema dos resíduos têxteis e reduzindo drasticamente o impacto ambiental da produção de vestuário.
Se a Everbloom conseguir escalar a sua tecnologia, poderemos estar prestes a vestir penas de galinha que parecem lã de luxo, salvando o planeta (e a carteira) no processo.
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