Todos nós sabemos que os smartphones dobráveis percorreram um longo caminho desde os primeiros modelos que pareciam demasiado frágeis para olhar, quanto mais para tocar. As fabricantes, como a Samsung ou a Google, adoram atirar números para o ar, garantindo que os seus dispositivos aguentam centenas de milhares de dobras ao longo de vários anos de utilização normal. No entanto, o início de 2026 trouxe uma tendência curiosa e, francamente, um pouco assustadora que está a colocar essas promessas à prova de uma forma muito agressiva.
Surgiu recentemente uma nova vaga de jogos de browser que foram desenhados especificamente para tirar partido da mecânica única destes equipamentos, transformando a própria dobradiça no comando principal. A premissa parece divertida à primeira vista, mas esconde um perigo real para a integridade física do teu precioso (e caro) smartphone. Não estamos a falar de toques suaves no ecrã, mas sim de movimentos físicos repetitivos que podem acelerar o desgaste de componentes vitais.
Estes “jogos de dobradiça” funcionam sem qualquer instalação de aplicações, correndo diretamente no navegador do teu telemóvel, o que facilita imenso o acesso a qualquer utilizador curioso. O problema é que, ao transformares o ato de abrir e fechar o telemóvel numa mecânica de jogo, estás a condensar anos de “abertura e fecho” em meras sessões de alguns minutos. Se és daqueles que sofre sempre que ouve um pequeno estalo na dobradiça, é melhor parares de ler por aqui, porque o conceito destes jogos é o pesadelo de qualquer entusiasta de hardware.

A estranha tendência de usar a dobradiça como comando
O exemplo mais flagrante desta nova moda chama-se Foldy Bird, uma experiência baseada na web que foi lançada neste mês de janeiro e que rapidamente se tornou viral. A ideia é ridiculamente simples: em vez de tocares no ecrã para fazer o pássaro voar, tu tens de fisicamente abrir e fechar o teu telemóvel. O ângulo da dobradiça serve como o input de controlo, onde dobrar mais rápido faz o pássaro subir e abrandar o movimento fá-lo cair.
Para além do Foldy Bird, surgiu também o Kami, que adota uma abordagem ligeiramente mais calma, simulando a arte do origami digital. Neste jogo, o objetivo é criar vincos em papel virtual através do movimento físico do smartphone, alinhando arestas e dobrando o dispositivo para completar as figuras. Embora seja menos frenético que o jogo do pássaro, continua a exigir um uso intensivo da parte mecânica mais sensível do teu equipamento.
O que torna esta tendência fascinante e terrível ao mesmo tempo é a forma como utiliza os sensores internos do telemóvel, como o giroscópio e o acelerómetro, para detetar com precisão o ângulo de abertura. Vários vídeos já começaram a circular online a demonstrar esta funcionalidade, e o som frenético da dobradiça a abrir e fechar repetidamente é suficiente para causar arrepios na espinha de qualquer pessoa que tenha gasto mais de mil euros num smartphone.
O perigo escondido por trás da diversão rápida
É importante teres noção de que, embora as marcas testem os seus telemóveis com robôs que abrem e fecham os dispositivos milhares de vezes, esses testes são feitos em ambientes controlados e a velocidades constantes. O stress mecânico causado por um ser humano a tentar desesperadamente manter um pássaro digital no ar é completamente diferente. A força aplicada é inconsistente, a velocidade é muito superior ao normal e o calor gerado pela fricção rápida pode afetar os materiais internos.
Uma sessão de jogo de apenas cinco ou dez minutos pode acumular centenas de ciclos de dobra, algo que num cenário de utilização normal poderia demorar semanas a atingir. Se te deixares viciar num destes jogos, é bem possível que estejas a reduzir drasticamente a vida útil do ecrã flexível e da própria dobradiça. O desgaste prematuro pode levar ao aparecimento de vincos mais profundos, pixels mortos ou, no pior dos cenários, à falha total do painel.
Além disso, esta movimentação rápida e constante aumenta a probabilidade de detritos entrarem na estrutura da dobradiça, especialmente se não estiveres num ambiente perfeitamente limpo. A maioria dos utilizadores trata os seus dobráveis com algum cuidado, abrindo-os apenas quando necessário, mas estes jogos incentivam exatamente o comportamento oposto: tratar um equipamento de alta tecnologia como se fosse um brinquedo de plástico barato.
Vale a pena arriscar o teu investimento?
Os próprios criadores destas experiências, como o Foldy Bird e o Kami, admitem que se tratam de projetos experimentais e deixam avisos sobre o uso intensivo da dobradiça. Não existe qualquer intenção maliciosa por parte de quem programou estes jogos; são apenas demonstrações impressionantes do que é possível fazer com a tecnologia web atual e os sensores modernos. No entanto, a responsabilidade final recai sempre sobre o utilizador.
Esta situação levanta uma questão interessante sobre a durabilidade real versus a durabilidade teórica. Será que os números apresentados pelas fabricantes aguentam o teste de um jogo viral? A comunidade de tecnologia está dividida, com alguns a acharem que é uma forma hilariante de testar os limites do hardware, enquanto outros consideram uma loucura total submeter o telemóvel a tal tortura voluntária.
Se tens um dobrável antigo encostado na gaveta e queres experimentar, força. Mas se utilizas o teu foldable como dispositivo principal para trabalho e comunicação, talvez seja melhor ficares-te pelos jogos que usam apenas o ecrã tátil. Afinal de contas, ganhar uma pontuação alta num jogo de browser não vai pagar a reparação do teu ecrã se ele decidir partir a meio.
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