O ano de 2026 promete ser um dos mais caros de sempre para os amantes de tecnologia, e nem a gigante Samsung está imune à tempestade perfeita que se formou no mercado de componentes. À medida que nos aproximamos do lançamento da série Galaxy S26, a empresa sul-coreana encontra-se numa encruzilhada financeira: como manter o preço dos seus topos de gama competitivo quando o custo de os fabricar disparou para níveis astronómicos?
Novos relatórios indicam que a Samsung está a ficar sem opções para evitar um aumento de preço no consumidor final. A estratégia para o lançamento de fevereiro poderá passar por um compromisso doloroso: manter o preço do telemóvel inalterado nos mercados-chave, mas eliminar silenciosamente os benefícios de pré-venda a que nos habituámos.
A crise da memória: o lucro cai mesmo com vendas altas
Para entender o problema, é preciso olhar para os bastidores financeiros. A Samsung divulgou recentemente os resultados do quarto trimestre de 2025, e os números contam uma história de duas realidades.
Por um lado, a empresa registou lucros recorde globais, impulsionados pela sua divisão de semicondutores — ironicamente, a mesma divisão que está a vender chips de memória a preços de ouro para o resto do mundo (incluindo para a Apple).
Por outro lado, a divisão móvel (Samsung MX) está a sofrer. A margem de lucro operacional dos smartphones caiu de 8,1% no final de 2024 para 6,5% no final de 2025. O que é que isto significa? Significa que a Samsung está a ganhar cada vez menos dinheiro por cada telemóvel vendido. O aumento brutal no custo das memórias RAM e armazenamento (essenciais para a IA) comeu as margens de lucro, uma vez que a empresa optou por não aumentar os preços dos dispositivos anteriores.

A estratégia para o S26: o fim dos brindes?
Nenhuma empresa consegue absorver custos indefinidamente. Com as margens a encolher, a Samsung tem de reagir. As informações mais recentes sugerem que a marca vai tentar manter a etiqueta de preço do Galaxy S26 inalterada em mercados estratégicos como os Estados Unidos e a Europa, para evitar um choque no consumidor.
No entanto, o dinheiro tem de vir de algum lado. A solução provável será o corte nos benefícios de pré-venda.
Historicamente, quem comprava um Galaxy S no lançamento recebia ofertas generosas: uns Galaxy Buds gratuitos, um relógio com desconto ou, mais recentemente, a popular oferta de “dobro do armazenamento” pelo preço do modelo base. Em 2026, estas ofertas podem desaparecer ou ser drasticamente reduzidas. Na prática, isto é um aumento de preço disfarçado: o utilizador paga o mesmo pelo telemóvel, mas recebe menos valor total no pacote.
O futuro é mais caro
Se a situação no mercado de memórias não estabilizar — e com a procura por IA a crescer, é pouco provável que estabilize —, a Samsung poderá ser forçada a tomar medidas mais drásticas no futuro.
Para além do corte nas ofertas, é possível que vejamos aumentos diretos de preço em mercados secundários ou em futuros lançamentos (como os dobráveis no verão). A era dos topos de gama com preços estáveis parece estar a chegar ao fim, e o Galaxy S26 poderá ser o último bastião de resistência antes da subida generalizada.
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