A Huawei acaba de reconquistar o topo do mercado de smartphones na China, impulsionada pelo desempenho comercial do seu mais recente topo de gama, o Mate 80. Segundo os dados mais recentes da Counterpoint Research, referentes a janeiro de 2026, a gigante tecnológica chinesa conseguiu posicionar-se no primeiro lugar do pódio, capturando uma quota de mercado de 19%.
Este resultado surge num contexto desafiante para a marca. Embora tenha garantido a liderança, a Huawei enfrenta uma queda anual de 27% nas suas vendas totais de smartphones. No entanto, o sucesso do Mate 80 provou ser o baluarte necessário para travar uma descida mais acentuada e manter a preferência dos consumidores num mercado interno extremamente competitivo.

Estratégia de preços e subsídios salvam o mês de janeiro
O domínio da Huawei neste início de ano não aconteceu por acaso. A empresa adotou uma postura agressiva no que toca a incentivos ao consumo. Enquanto a série Nova 15 apresentou resultados abaixo do esperado, não conseguindo replicar o sucesso de gerações anteriores, o modelo base do Mate 80 assumiu o protagonismo absoluto.
Para garantires que as unidades saíam das prateleiras, a Huawei implementou um plano de retomas intensificado. A marca ofereceu os valores de avaliação mais altos do mercado em diversas plataformas de reciclagem e troca de equipamentos. A isto somou-se um subsídio oficial do governo chinês, que concedeu um desconto adicional de 20% na compra de novos dispositivos. Esta conjugação de fatores permitiu que o Mate 80 se tornasse o modelo mais vendido da marca em janeiro, fidelizando utilizadores que procuravam atualizar os seus aparelhos sem suportar o custo total de um topo de gama.
Apple segue de perto com o iPhone 17 em ascensão
Apesar do triunfo da Huawei, a concorrência não dá tréguas. A Apple fixou-se na segunda posição, também com uma quota de 19% do mercado, mas com uma dinâmica de crescimento distinta. Ao contrário da Huawei, a empresa de Cupertino registou uma subida anual de 8%, marcando o seu melhor desempenho de vendas em janeiro dos últimos cinco anos no território chinês.
O motor deste crescimento foi a nova série iPhone 17. O modelo base desta linha entrou recentemente no programa de subsídios do país, o que resultou num aumento imediato de 9% nas vendas em comparação com o mês anterior. A luta pelo primeiro lugar está, portanto, reduzida a uma margem mínima, onde a estratégia de preços e o suporte estatal desempenham papéis fundamentais.

Marcas chinesas enfrentam contração generalizada
Se olharmos para o resto do ranking, o cenário é de retração. A Oppo e a Vivo ocupam o terceiro e quarto lugares, respetivamente, mas ambas sofrem com a tendência de queda que afeta quase todos os fabricantes locais neste arranque de 2026. O setor aguarda agora para perceber se o primeiro trimestre do ano trará uma inversão desta tendência negativa.
Para a Huawei, o foco agora é manter o fôlego do Mate 80. O dispositivo não só se destaca pela sua performance técnica, mas também pela forma como a marca o posicionou no mercado através de uma política de preços inteligente. Se o sucesso do modelo base se estender às variantes mais avançadas, a Huawei poderá solidificar esta liderança precária.
Como utilizador atento, percebes que o mercado chinês está a atravessar uma fase de transição. A lealdade à marca continua forte, mas o fator económico — traduzido em descontos diretos e campanhas de retoma — tornou-se o principal critério de decisão de compra. O Mate 80 é o exemplo perfeito de como um bom produto, apoiado pelas condições financeiras certas, pode contrariar estatísticas de queda anual e devolver o trono a uma marca que muitos consideravam em dificuldades.
Resta saber como é que a Apple irá reagir nos próximos meses e se a Huawei conseguirá revitalizar a linha Nova 15 para acompanhar o sucesso da série Mate. Para já, o gigante chinês respira de alívio, sustentado por um dispositivo que se revelou a escolha certa no momento certo.
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