A Nothing, a empresa tecnológica liderada por Carl Pei, está a dar mais um passo na sua missão de redefinir a relação entre o utilizador e o smartphone. Depois de ter apresentado a sua visão de um sistema operativo “nativo de IA” em setembro de 2025, a marca anunciou agora o lançamento da versão beta do Essential Apps Builder. Esta ferramenta promete transformar qualquer utilizador num programador de software, permitindo criar aplicações e widgets funcionais utilizando apenas linguagem natural — um conceito que a empresa apelida de “vibe coding”.
Disponível inicialmente para os utilizadores do Nothing Phone (3), esta novidade representa uma mudança de paradigma: o telemóvel deixa de ser apenas um dispositivo de consumo de aplicações para se tornar numa plataforma de criação acessível a todos, sem a necessidade de escrever uma única linha de código.
O que é o “Vibe Coding”?
O conceito por trás do Essential Apps Builder é remover a barreira técnica da programação. Em vez de aprender Java, Kotlin ou Swift, o utilizador apenas descreve à Inteligência Artificial o que pretende que a aplicação faça.
O sistema, alojado no hub “Playground” da Nothing, interpreta o pedido (o prompt) e gera o código e a interface necessários para tornar essa ideia realidade. Até agora, a ferramenta estava numa fase Alfa restrita a colaboradores internos e membros selecionados da comunidade. Com a passagem para Beta, a Nothing começa a abrir as portas a uma base de utilizadores mais vasta, embora o acesso ainda seja gerido através de uma lista de espera e libertado em lotes.

O que podes construir hoje? (E as limitações)
Nesta fase inicial da Beta, a Nothing está a ser cautelosa com as permissões. O construtor de aplicações requer acesso à localização do telemóvel, ao calendário (apenas leitura) e aos contactos.
Isto significa que, por enquanto, as criações estão limitadas a ferramentas de produtividade pessoal e contexto, tais como:
- Lembretes baseados na localização: “Avisar-me para comprar leite quando estiver perto do supermercado.”
- Vistas de Agenda personalizadas: Criar interfaces únicas para visualizar o dia.
- Widgets de contacto rápido: Botões de um toque para ligar a pessoas específicas.
- Contagens decrescentes para reuniões.
A empresa também melhorou a experiência de utilização, adicionando suporte para o Modo Escuro e tornando o processo de publicação e atualização de apps mais transparente, distinguindo claramente entre versões “live” (ao vivo) e rascunhos.
O Roteiro: sensores, câmara e expansão
A ambição da Nothing é grande. A empresa já delineou um roteiro de atualizações para as próximas semanas e meses que irá expandir drasticamente o que é possível criar.
Uma atualização de sistema operativo prevista para o final de fevereiro irá introduzir acesso a:
- Reconhecimento de Atividade: A app saberá se estás a andar, a correr ou a conduzir.
- Estatísticas de Uso: Dados sobre como usas o telemóvel.
- Sensores e Meteorologia: Acesso aos dados do giroscópio, acelerómetro e API de tempo do sistema.
Mais tarde, a Nothing promete desbloquear o acesso à câmara, microfone, notificações, vibração, chamadas e Bluetooth. Quando isto acontecer, o Essential Apps Builder deixará de ser uma curiosidade para se tornar numa ferramenta poderosa capaz de criar aplicações complexas que interagem com o mundo físico.
Exclusividade temporária
Atualmente, o acesso à Beta é um privilégio exclusivo dos donos do Nothing Phone (3). No entanto, a marca confirmou que planeia expandir a ferramenta para outros dispositivos Nothing e CMF que corram o Nothing OS 4.0 ou superior, assim que a versão beta estabilizar.
A versão estável final está planeada para “mais tarde este ano” e virá acompanhada de outra funcionalidade intrigante: o “Remixing Apps”, que permitirá aos utilizadores pegar em apps criadas por outros e modificá-las ou melhorá-las, fomentando uma comunidade de criação partilhada.
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