A OpenAI, a empresa que desencadeou a revolução da Inteligência Artificial com o ChatGPT, está pronta para dar o próximo passo lógico na sua evolução: sair do navegador e entrar no mundo físico. Depois de meses de especulação sobre que forma tomaria o primeiro dispositivo de hardware da empresa liderada por Sam Altman, novos relatórios apontam para uma mudança de estratégia decisiva. O projeto, com o nome de código “Dime”, não será um pendente estranho nem uma caneta futurista, mas sim algo muito mais familiar e prático: uns auriculares inteligentes alimentados por IA.
Esta mudança de direção sugere que a OpenAI aprendeu com os erros de outros pioneiros (como a Humane ou a Rabbit) e percebeu que a melhor forma de levar a IA para o dia a dia das pessoas não é inventar novos comportamentos, mas sim melhorar os que já existem.
Do pendente para o ouvido: a vitória do pragmatismo
Durante muito tempo, os rumores de Silicon Valley sugeriam que a OpenAI, em colaboração com o lendário designer Jony Ive (ex-Apple), estaria a criar um dispositivo totalmente novo, possivelmente um “broche” ou um assistente de bolso sem ecrã. No entanto, as informações avançadas pelo portal ITHome indicam que esses conceitos mais esotéricos foram, pelo menos para já, colocados na gaveta.
A aposta nos auriculares é estratégica. O ouvido é o canal natural para a interação com modelos de linguagem avançados (LLMs).
- Interface Invisível: Com uns auriculares “Dime”, o utilizador pode conversar com o ChatGPT de forma fluida enquanto caminha, trabalha ou viaja, sem a barreira de ter de olhar para um ecrã.
- Assistente Proativo: Imaginem uns AirPods, mas com um cérebro capaz de traduzir conversas em tempo real, resumir reuniões ou dar instruções de navegação complexas, tudo processado pela nuvem da OpenAI.

A crise dos chips trava a inovação
Apesar da visão clara, o caminho para o lançamento não tem sido fácil. O desenvolvimento do “Dime” embateu numa barreira que afeta toda a indústria tecnológica em 2026: a crise das memórias.
A explosão da IA generativa criou uma procura insaciável por chips de memória de alto desempenho, especialmente a memória HBM (High Bandwidth Memory) usada nos servidores, e a memória RAM rápida necessária para dispositivos locais. Esta escassez inflacionou os custos e limitou a disponibilidade de componentes, obrigando a OpenAI a moderar o ritmo de desenvolvimento do seu hardware. A empresa enfrenta o dilema de lançar um produto acessível ou um produto tecnicamente viável, num mercado onde o preço do silício vale ouro.
Chegada prevista para o final de 2026
Mesmo com estes ventos contrários logísticos, o plano mantém-se. A expectativa é que os auriculares “Dime” sejam apresentados oficialmente no final deste ano.
Este calendário permite à OpenAI esperar que a pressão sobre a cadeia de abastecimento alivie ligeiramente e, simultaneamente, refinar o seu modelo de voz avançado (o GPT-4o ou sucessor) para garantir que a latência — o tempo que a IA demora a responder — seja praticamente nula, algo essencial para que uma conversa por voz pareça natural e não uma chamada telefónica com atraso. Se bem-sucedido, o “Dime” poderá ser o dispositivo que finalmente cumpre a promessa do filme Her, colocando um companheiro inteligente no nosso ouvido.
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