O mercado de smartphones está a viver um momento de consolidação silenciosa mas brutal. Em janeiro, surgiram os primeiros rumores de que a gigante chinesa OPPO estava a reestruturar a sua hierarquia interna, transformando marcas independentes como a Realme e a OnePlus em sub-marcas integradas num único ecossistema unificado. Agora, os efeitos dessa decisão estratégica começam a fazer-se sentir no terreno, e as notícias não são boas para os trabalhadores.
Um novo relatório do 91mobiles Hindi revela que a transição já está a provocar impacto real na Índia, um dos mercados mais importantes para a marca, com o início de uma vaga de despedimentos na rede de vendas da Realme. O que antes era uma operação ágil e independente parece estar a ser absorvida pela máquina da casa-mãe.

O custo da eficiência: cortes na equipa de vendas
As informações, recolhidas junto de canais de retalho e funcionários, indicam que a Realme iniciou o processo de redução da sua força de trabalho nas operações de vendas. Os cortes parecem ser cirúrgicos mas abrangentes, visando funções como gerentes de vendas de área, pessoal de terreno e funcionários focados no retalho.
Os primeiros sinais de alarme surgiram em Gujarat, mas rapidamente se confirmaram em regiões chave como Deli, Haryana e Punjab. Segundo relatos, alguns funcionários já foram instruídos a apresentar a sua demissão, com os seus cargos a terminarem efetivamente até 30 de abril.
A justificação é clássica: redução de custos operacionais e racionalização de funções internas. Com a Realme a mover-se de volta para a estrutura organizacional da OPPO, muitas das funções que antes eram duplicadas (porque cada marca tinha a sua própria equipa de marketing, distribuição e serviços) tornam-se redundantes. A OPPO já tem uma infraestrutura massiva montada, e a Realme passará a usá-la, dispensando a sua própria.
O fim da independência da Realme?
Esta reestruturação marca o fim de uma era. A Realme nasceu como uma startup rebelde dentro da OPPO, focada em vendas online e num público jovem, crescendo rapidamente para se tornar uma das maiores marcas do mundo. Agora, o guião inverteu-se.
O novo modelo coloca a OPPO como a marca principal, enquanto a Realme e a OnePlus operam como sub-marcas de apoio dentro de um ecossistema unificado. Um sinal claro desta mudança é visível na loja online da OPPO na China, que já começou a vender dispositivos Realme ao lado dos seus próprios modelos e dos da OnePlus.
O que muda para o consumidor?
Apesar do caos organizacional e do impacto humano, a mensagem para o mercado é de continuidade. Os lançamentos de produtos da Realme deverão prosseguir sem interrupções. No entanto, a estratégia por trás desses produtos poderá mudar. Com uma gestão centralizada, é provável que vejamos uma maior partilha de componentes e uma segmentação de mercado mais rígida para evitar que a Realme canibalize as vendas da OPPO ou da OnePlus.
Ao contrário da OnePlus, que reagiu publicamente a rumores semelhantes, a Realme ainda não comentou oficialmente estes despedimentos, mantendo o silêncio enquanto a sua estrutura muda profundamente nos bastidores.
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