O TikTok está finalmente de volta à normalidade. Após uma semana marcada por falhas técnicas graves, erros de carregamento e o pânico dos criadores de conteúdo que viram as suas contagens de visualizações a zeros, a plataforma de vídeos curtos anunciou no domingo que restaurou com sucesso os seus serviços nos Estados Unidos.
A causa do caos não foi um ciberataque nem uma falha de software na nova gestão, mas sim a força da natureza. Uma tempestade de neve severa atingiu um centro de dados primário operado pela Oracle, o parceiro tecnológico responsável por alojar os dados dos utilizadores americanos do TikTok, deitando abaixo uma infraestrutura crítica num momento sensível de transição corporativa.
O “Efeito Dominó” da tempestade de inverno
A explicação oficial do TikTok, partilhada na rede social X, detalha uma cascata de falhas. A tempestade de inverno provocou um corte de energia no centro de dados da Oracle, o que, por sua vez, desencadeou problemas generalizados de rede e armazenamento.
O impacto foi massivo: dezenas de milhares de servidores ficaram inoperacionais. Estes servidores são as “máquinas” que mantêm o TikTok a funcionar para os seus mais de 220 milhões de utilizadores nos EUA. Como resultado, funcionalidades nucleares da aplicação colapsaram:
- Publicação: Os utilizadores não conseguiam carregar novos vídeos.
- Descoberta: O algoritmo de recomendação falhou ou ficou lento.
- Métricas em Tempo Real: O bug mais assustador para os influenciadores foi o desaparecimento dos “likes” e das contagens de visualizações, que apareceram a zeros durante o apagão.
Este incidente expôs a dependência física da “nuvem”. Apesar de o TikTok ter finalizado recentemente o seu acordo para passar para a nova entidade TikTok USDS (controlada em 80% por investidores americanos como a Oracle e a Silver Lake), a infraestrutura física continua vulnerável a eventos climáticos extremos.

O caos da transição e a oportunidade dos rivais
O timing não podia ter sido pior. O apagão coincidiu com a finalização do complexo acordo de propriedade que separou a operação dos EUA da casa-mãe chinesa ByteDance. Para os utilizadores, a instabilidade técnica misturou-se com a incerteza corporativa, criando um ambiente de frustração.
E, como em qualquer crise, houve quem lucrasse. Enquanto o gigante tropeçava na neve, novas redes sociais aproveitaram para captar os utilizadores descontentes:
- Skylight: A aplicação de vídeos curtos apoiada por Mark Cuban, construída sobre o protocolo descentralizado AT, viu a sua base de utilizadores disparar para mais de 380.000 na semana em que o acordo do TikTok foi finalizado.
- Upscrolled: Uma nova rede social criada pelo tecnólogo Issam Hijazi subiu meteoricamente nos rankings da App Store, atingindo o segundo lugar na categoria de redes sociais nos EUA com 41.000 downloads em poucos dias.
Estes números mostram que a lealdade dos utilizadores é volátil. Quando a plataforma dominante falha, a curiosidade por alternativas aumenta instantaneamente. O TikTok sobreviveu à tempestade e à política, mas este episódio serve como um lembrete de que a estabilidade técnica é tão vital quanto a aprovação regulatória.
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