Se és daquelas pessoas que acompanha o mundo dos smartphones da Samsung, certamente já conheces a velha e acesa rivalidade entre os processadores Snapdragon e os processadores Exynos. Durante anos a fio, a marca sul-coreana habituou-nos a uma estratégia muito dividida: dependendo do país onde comprasses o teu telemóvel da linha Galaxy S, podias receber o aclamado chip da Qualcomm ou o frequentemente criticado chip caseiro da própria Samsung.
No entanto, prepara-te para uma mudança radical de cenário. A gigante tecnológica parece estar finalmente pronta para abandonar esta dupla dependência e tem um objetivo claro e muito ambicioso traçado no horizonte: equipar todos os futuros dispositivos Galaxy exclusivamente com processadores Exynos.
O regresso em força com o Galaxy S26
Esta reviravolta não surge por acaso. Se olharmos para o recém-lançado Galaxy S26, percebemos rapidamente que a Samsung recuperou a confiança na sua própria tecnologia de semicondutores. Depois de um ano em que a série Galaxy S25 foi forçada a utilizar exclusivamente processadores Snapdragon devido a problemas graves na taxa de produção (os rumores apontavam para rendimentos desastrosos de apenas 20% na litografia de 3nm), a marca deu a volta por cima em grande estilo.
Este ano, o Galaxy S26 e o S26+ que chegam à Europa (incluindo Portugal), à Coreia do Sul e à Índia vêm artilhados com o novíssimo Exynos 2600. E não é um processador qualquer: trata-se do primeiro chip para smartphones do mundo construído num processo de 2 nanómetros (2nm). Para calar os críticos que sempre se queixaram do sobreaquecimento das gerações passadas, a Samsung adicionou um engenhoso bloco de dissipação térmica (“Heat Path Block”) que reduz drasticamente o calor gerado. Ainda assim, na América do Norte e na China, a marca manteve o Snapdragon 8 Elite Gen 5, que também alimenta o cobiçado modelo S26 Ultra a nível global. Mas esta divisão tem os dias contados.

Um plano ambicioso a longo prazo
Durante um recente evento de imprensa em San Jose, na Califórnia, Moon Sung-hoon, o Vice-Presidente de Hardware da divisão Samsung MX (responsável pelos telemóveis, tablets e software), abriu o jogo. O executivo revelou que a sua equipa está a trabalhar em estreita colaboração com a divisão LSI (a unidade que desenha os semicondutores) para criar um plano a médio e longo prazo incrivelmente ambicioso.
A meta principal? Acabar com a barreira geográfica e usar os próprios processadores em toda a sua linha de equipamentos. “Esperamos equipar todas as linhas Galaxy com o nosso próprio processador de aplicações, o chip Exynos”, afirmou o executivo com enorme confiança, destacando que a versão de 2nm já provou o seu valor ao melhorar significativamente o consumo de energia e a experiência geral do cliente de forma incontestável.
O que muda com o futuro Galaxy S27?
Os planos da marca não se ficam apenas pelas intenções futuras. Os efeitos desta nova política de autonomia tecnológica já se vão fazer sentir com muita força no próximo ano. Atualmente, estima-se que o Exynos 2600 alimente cerca de 25% de todos os aparelhos da série S26 vendidos no mundo.
Para a futura série Galaxy S27, a Samsung quer pura e simplesmente duplicar este valor, garantindo que o próximo processador Exynos 2700 esteja presente em pelo menos 50% das unidades vendidas. O que é que isto significa para ti? Significa que é extremamente provável que o intocável modelo Ultra venha a utilizar o chip Exynos em vários mercados globais já no próximo ano.
Para além do orgulho corporativo, há uma motivação puramente financeira e estratégica por detrás desta transição massiva. Há rumores muito fortes de que a fabricante sul-coreana criou recentemente uma equipa dedicada ao desenvolvimento de chips personalizados, copiando a estratégia de enorme sucesso que a Apple utiliza com os seus iPhones e modems proprietários.
Ao controlar toda a cadeia de produção — desde o desenho minucioso da arquitetura até à montagem final no telemóvel —, a Samsung não só poupa milhões de dólares em licenciamentos a terceiros, como ganha a capacidade de integrar funcionalidades proprietárias e otimizações de Inteligência Artificial diretamente no hardware. A era em que a Qualcomm reinava absoluta nos modelos de topo da Samsung está prestes a terminar, abrindo caminho para a afirmação definitiva do poder de engenharia interno da marca.
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