Lembras-te de quando os telemóveis serviam apenas para fazer chamadas e mandar umas mensagens? Esse tempo já lá vai. A Honor decidiu pegar no conceito tradicional de smartphone e virá-lo de pernas para o ar com o seu revolucionário Honor Robot Phone.
Depois de ter deixado o mundo boquiaberto com a sua primeira aparição pública oficial no Mobile World Congress (MWC) ontem, dia 1 de março, as novidades não param de chegar. Se pensavas que isto era apenas um protótipo conceptual para mostrar nas feiras de tecnologia e esquecer numa gaveta de laboratório, desengana-te. Novas informações garantem que este dispositivo vai mesmo ser uma realidade nas tuas mãos muito em breve.

O calendário estratégico e a sombra da Apple
De acordo com o conhecido e fiável leaker FixedFocus, a Honor está a afinar as máquinas e planeia iniciar a produção em massa do Robot Phone já no próximo mês de agosto. Historicamente, esta é a altura do ano em que a marca chinesa costuma preparar as suas linhas de entrada (a série X), o seu modelo dobrável V Flip ou os preparativos finais para a linha premium Magic. No entanto, alocar recursos de produção maciços para este “telemóvel robótico” no final do verão é uma jogada de mestre altamente calculada.
Lançar um equipamento de inovação pura entre agosto e setembro significa colocar-se em rota de colisão direta com os produtos de topo da Apple. A intenção da marca é bastante clara: roubar o mediatismo mediático ao futuro iPhone 18 (e ao iPhone dobrável) e oferecer aos consumidores uma alternativa Android que traz algo verdadeiramente novo e palpável em termos de engenharia mecânica, em vez de apenas oferecer mais um ecrã ligeiramente mais brilhante ou uma câmara com mais uns megapixéis.
O verdadeiro alvo é a DJI, não apenas os telemóveis
A grande surpresa deste equipamento é que a sua verdadeira concorrência poderá não residir nos outros smartphones convencionais. Os especialistas do setor apontam que o Honor Robot Phone vai ser uma dor de cabeça colossal para o mercado das câmaras robóticas dedicadas, nomeadamente para o futuro DJI Pocket 4.
Se és criador de conteúdo para redes sociais, sabes perfeitamente que a série DJI Pocket é o “santo graal” do vlogging. Com o seu gimbal mecânico de 3 eixos, focagem ultra-rápida, ecrã rotativo e rastreio de rosto e objetos impecável, é a câmara que todos levam para as viagens. O que a Honor está a tentar fazer é audaz: fundir essa estabilização mecânica e o rastreio autónomo diretamente no chassi de um telemóvel de uso diário. Se não precisares de comprar (nem de carregar na mochila) uma câmara externa de 400 euros porque o teu telemóvel já faz exatamente o mesmo com uma câmara que se move e ajusta fisicamente, o mercado das câmaras compactas pode sofrer um abalo tremendo.

Atrasos compensados por IA e inovação mecânica
É verdade que as primeiras previsões da indústria apontavam para que a produção começasse logo na primeira metade do ano, o que significa que o projeto sofreu um ligeiro atraso de alguns meses. Contudo, a engenharia necessária para acomodar peças mecânicas móveis num telemóvel de forma durável, mantendo uma boa bateria e resistência ao pó, não é brincadeira e exige tempo de afinação.
Ainda assim, o pacote promete compensar a espera extra. Para além do design icónico e da câmara com movimento físico, o Robot Phone estará recheado de funcionalidades de Inteligência Artificial divertidas e práticas. Estas ferramentas foram desenhadas para elevar a captação de foto e vídeo a um patamar que os estabilizadores óticos tradicionais (OIS) puramente fixos simplesmente não conseguem alcançar.
Ainda não existe uma data oficial marcada no calendário para o lançamento nas lojas, nem a Honor emitiu comentários oficiais sobre a disponibilidade ou preços. Contudo, com a produção a arrancar no final do verão, é muito provável que estejas a gravar as tuas viagens de final de ano com um telemóvel que te segue de forma inteligente pela sala sem precisares de um operador de câmara humano. O mercado móvel estava desesperadamente a precisar de uma lufada de ar fresco, e a Honor assumiu esse risco.
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