Se acompanhas o mundo da tecnologia de perto, sabes perfeitamente que o Mobile World Congress (MWC) não serve apenas para mostrar os telemóveis que vais poder comprar na próxima semana. É também o palco perfeito para as marcas testarem os limites absolutos da imaginação e da engenharia. Este ano, com o evento prestes a arrancar em Barcelona já no dia 2 de março, a Lenovo parece estar disposta a roubar todas as atenções. Depois das recentes fugas de informação sobre a sua consola portátil com ecrã dobrável, surgiu agora na internet um conceito de portátil que promete repensar totalmente a forma como interagimos com os nossos computadores de trabalho: o ambicioso ThinkBook Modular AI PC.
As imagens que incendiaram as redes sociais e os fóruns nas últimas horas foram partilhadas pelo conhecido e sempre fiável leaker Evan Blass. À primeira vista, quando o portátil está fechado ou aberto na sua configuração base, parece ser um computador em formato de concha tradicional, igual a tantos outros que tens na tua secretária. Mas a grande magia de design acontece na metade inferior, a área que habitualmente chamamos de “base”.
Em vez de estares preso a um teclado físico e a um trackpad estático para o resto da vida útil da tua máquina, a Lenovo imaginou um ecossistema onde toda essa secção pode ser alterada. Numa das imagens reveladas, vemos o teclado normal encaixado; noutra, toda essa área física foi pura e simplesmente substituída por um segundo ecrã digital completo e massivo, transformando o portátil numa tela de vidro dupla.

Um estúdio criativo ou centro de controlo
A ideia principal por trás desta modularidade não é apenas estética, mas sim incrivelmente prática: dar-te o poder total de adaptar o teu hardware à tarefa que tens em mãos naquele exato momento.
Se precisares de escrever um relatório longo ou responder a dezenas de e-mails, encaixas o módulo do teclado físico para teres aquele retorno tátil rápido e satisfatório. Por outro lado, se fores editar um vídeo, fazer ilustração digital ou se precisares de expandir a tua área de visualização para cruzar dados, trocas o teclado pelo ecrã secundário. Este painel extra pode funcionar como uma enorme superfície de desenho, uma expansão vertical do teu ambiente de trabalho ou até mesmo uma área dedicada a botões e atalhos virtuais personalizados para as tuas apps de produtividade.
Para tornar as coisas ainda mais flexíveis e futuristas, uma terceira imagem da fuga mostra o ecrã principal totalmente destacado da base e posicionado ao lado desta, sugerindo que todo o sistema suporta módulos removíveis e independentes que podes montar como se fossem autênticas peças de LEGO tecnológicas.
Os mistérios técnicos e o peso da Inteligência Artificial
Como se trata de um conceito de hardware que escapou para a internet antes do tempo devido, há obviamente uma montanha de perguntas técnicas que ainda não têm uma resposta clara. Olhando apenas para as imagens, não fica evidente como é que estes vários módulos se ligam uns aos outros. Estaremos a falar de ímanes super fortes, de pinos de contacto magnéticos (pogo pins) ou de um sistema oculto de calhas internas robustas?
Também não existe qualquer confirmação oficial sobre detalhes cruciais, como o suporte nativo para canetas digitais (stylus) no ecrã inferior, a resolução exata destes painéis inovadores ou, de forma muito pertinente, como é que as tão faladas funcionalidades de Inteligência Artificial se vão integrar de forma orgânica neste formato. Sendo rotulado oficialmente como um “AI PC”, é altamente expectável que a inteligência da máquina tire partido destes múltiplos ecrãs e configurações para antecipar as tuas necessidades de software.

A Lenovo já nos habituou e construiu um historial fascinante no que toca a arriscar no design de computadores. Em edições passadas do MWC, a marca já nos deixou de queixo caído com ecrãs enroláveis que crescem magicamente ao toque de um botão e até portáteis com painéis de vidro totalmente transparentes. É perfeitamente verdade que muitos destes protótipos incríveis de Barcelona nunca chegam às prateleiras das lojas na sua forma mais radical.
Contudo, eles servem sempre como valiosos balões de ensaio para medir a reação do público e acabam, invariavelmente, por influenciar funcionalidades reais nos produtos finais que compras uns anos mais tarde. A grande feira arranca já amanhã, pelo que a espera para vermos este “Transformers” da computação a funcionar ao vivo será bastante curta. Resta apenas saber se será uma visão do teu próximo PC de trabalho ou apenas mais um brilhante exercício de design experimental.
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