A Google cansou-se de lutar em duas frentes. Depois de anos a tentar posicionar os Chromebooks contra os portáteis e os tablets Android contra o iPad – e a perder em ambas –, a gigante tecnológica prepara-se para a sua jogada mais arriscada e ambiciosa. A empresa vai fundir os seus dois sistemas operativos numa única plataforma unificada, internamente conhecida como Aluminium OS, com o objetivo de conquistar o mercado premium de computadores e tablets.
Esta não é mais uma tentativa tímida de “integração”. É uma reescrita completa da estratégia da Google, confirmada por executivos e detalhada em ofertas de emprego, que promete transformar o Android num sistema operativo de desktop a sério, capaz de competir diretamente com o macOS e o iPadOS.

O fim dos dois mundos: o que é o Aluminium OS?
O Aluminium OS nasce de um projeto para unificar o código base do Android e do ChromeOS. A ideia, confirmada por Rick Osterloh (chefe de hardware da Google) e Sameer Samat (presidente do ecossistema Android), é simples: “trazer o Android para o mercado de PC”.
Durante a Snapdragon Summit em setembro, os executivos admitiram que ter sistemas separados para PCs e smartphones já não faz sentido. O novo sistema será a fundação técnica comum para todos os produtos da Google, desde tablets a laptops e desktops, permitindo alavancar todo o trabalho de IA e o ecossistema de aplicações Android num ambiente de desktop robusto.
Um ataque ao mercado ‘premium’ em três níveis
As pistas mais reveladoras surgiram numa oferta de emprego para um “gestor de produto sénior”. O documento confirma o nome de código “Aluminium” (uma referência clara ao Chromium) e detalha uma estratégia agressiva para invadir o segmento de luxo, onde os Chromebooks sempre falharam.
A Google planeia lançar dispositivos em três níveis:
- AL Entry: Modelos de entrada, provavelmente substituindo os Chromebooks baratos.
- AL Mass Premium: O segmento médio-alto.
- AL Premium: O verdadeiro topo de gama, desenhado para competir com o MacBook Air e o iPad Pro.
Os dispositivos incluirão portáteis, destacáveis (2-em-1), tablets e “caixas” (Mini PCs), todos a correr este novo sistema “baseado em Android”.
Quando chega?
Os executivos da Google apontaram o lançamento para 2026. O palco mais provável para a revelação oficial será a conferência Google I/O desse ano.
A grande incógnita é a transição. As informações sugerem que os Chromebooks atuais e os novos dispositivos Aluminium irão coexistir durante algum tempo, com a Google a trabalhar numa forma de atualizar o hardware existente para o novo sistema.
Com a IA Gemini no centro da experiência e uma parceria com a Qualcomm para garantir o desempenho, o Aluminium OS é a aposta final da Google para provar que o Android pode ser, finalmente, um sistema operativo de trabalho sério.
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