A hegemonia da Nvidia no mundo da Inteligência Artificial parece inabalável hoje, mas o futuro pode não ser feito de silício e eletricidade. Uma startup americana chamada Neurophos, apoiada financeiramente pelo fundo Gates Frontier de Bill Gates, acaba de anunciar uma nova arquitetura de chips de IA que utiliza luz em vez de eletricidade para processar dados.
Esta tecnologia, conhecida como computação ótica, promete resolver os dois maiores gargalos que ameaçam travar a evolução da IA: o consumo de energia insustentável e os limites físicos de velocidade dos transístores eletrónicos atuais. Se a Neurophos for bem-sucedida, não estamos apenas a falar de um chip mais rápido; estamos a falar de uma mudança fundamental na física da computação.
Fotões vs. Eletrões: porque é que a luz vence?
Os processadores atuais, como os H100 ou Blackwell da Nvidia, funcionam movendo eletrões através de transístores de silício. Este movimento gera resistência e, consequentemente, calor. Para aumentar a velocidade, é preciso diminuir os transístores e aumentar a energia, o que leva a problemas de sobreaquecimento massivos.
A Neurophos propõe uma abordagem radicalmente diferente: usar fotões (partículas de luz) para realizar os cálculos.
- Velocidade: A luz viaja muito mais depressa e permite comutações a velocidades que os eletrões não conseguem acompanhar.
- Eficiência: A luz gera muito menos calor ao mover-se, permitindo processar muito mais dados com a mesma quantidade de energia.
A grande inovação da Neurophos foi ter conseguido superar uma barreira histórica da computação ótica: a miniaturização. A empresa afirma ter conseguido encolher os componentes óticos o suficiente para os integrar densamente num chip fabricado com processos industriais existentes.

Uma arquitetura gigante em vez de mil núcleos pequenos
A abordagem da Neurophos ao design do chip também difere da norma. Enquanto uma GPU da Nvidia divide o trabalho por milhares de pequenos núcleos de computação, o processador ótico da Neurophos baseia-se numa única e massiva matriz de computação ótica.
Esta matriz consegue realizar operações matemáticas complexas a velocidades extremas de uma só vez, ideal para os cálculos de matrizes gigantescos que sustentam as redes neurais modernas (LLMs).
O pesadelo da Nvidia? Ainda não.
A pergunta que se impõe é: deve a Nvidia estar preocupada? A resposta curta é: ainda não, mas devia estar atenta.
A Nvidia continua a ser a força dominante e os seus chips de silício são a infraestrutura padrão de toda a indústria. Embora a Nvidia esteja a começar a usar fotónica (luz), fá-lo apenas para a transferência de dados entre chips para aumentar a largura de banda, mantendo o cálculo eletrónico. A Neurophos quer fazer o cálculo com luz, o que é um salto tecnológico muito maior e mais arriscado.
A startup ainda está a anos de distância da produção em massa e enfrenta desafios hercúleos de engenharia e, sobretudo, de software. Adaptar os modelos de IA atuais para correrem em hardware ótico não será trivial. No entanto, com o apoio de Bill Gates e a promessa de quebrar a Lei de Moore, a Neurophos sinaliza um futuro onde os centros de dados poderão ser alimentados por feixes de luz em vez de correntes elétricas.
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