Mudar de telemóvel (de Android para iOS ou vice-versa) sempre foi uma dor de cabeça, mas mudar de assistente de Inteligência Artificial está a tornar-se num desafio ainda maior. À medida que passamos meses a conversar com o ChatGPT, o Claude ou o Gemini, estas plataformas acumulam um contexto valioso sobre o nosso trabalho, estilo de escrita e preferências. Esse histórico funciona como uma âncora, criando um “lock-in” que nos impede de mudar de serviço por medo de perder essa memória digital.
A Google parece ter identificado esta barreira e está a preparar-se para a derrubar. Novas funcionalidades descobertas na versão beta da aplicação sugerem que o Gemini vai ganhar em breve uma ferramenta nativa de “Importar chats de IA”, desenhada especificamente para facilitar a migração de utilizadores vindos de plataformas rivais.

“Import AI Chats”: a ponte para o ecossistema Google
A funcionalidade, detetada no menu de anexos do Gemini com uma etiqueta beta, promete um processo simples para quem quer abandonar o ChatGPT ou o Claude. O sistema permitirá ao utilizador carregar ficheiros de histórico de conversas (geralmente exportados em formatos como JSON ou HTML das outras plataformas) diretamente para o Gemini.
Isto significa que, em vez de começar do zero com um assistente “em branco”, poderás trazer o teu passado contigo. Embora ainda não esteja claro se o Gemini conseguirá assimilar este histórico para “aprender” o teu estilo imediatamente (ou se servirá apenas como um arquivo pesquisável), a existência da ferramenta é um sinal agressivo da Google. A empresa quer eliminar a fricção da mudança, tal como fez com as ferramentas de transferência de dados do iPhone para o Pixel.
A limitação das “Memórias”
No entanto, a migração não será perfeita. Os relatórios indicam que, embora o texto das conversas seja transferível, as “Memórias” (as notas específicas que o ChatGPT guarda sobre as tuas preferências, como “o utilizador prefere código em Python” ou “tem uma filha chamada Sofia”) provavelmente não serão migradas automaticamente. Estas nuances estruturais variam demasiado entre plataformas para uma conversão direta, pelo que o Gemini terá de reaprender quem tu és ao longo do tempo.
Nano Banana Pro em 4K e a ferramenta ‘Likeness’
Para além da importação de dados, a Google está a preparar melhorias visuais. O modelo de geração de imagem Nano Banana Pro (sim, o nome curioso mantém-se) vai receber uma atualização de resolução.
Atualmente, o Gemini gera imagens em 2K por defeito. A nova atualização introduzirá uma escolha clara:
- Tamanho Recomendado: O padrão atual, ideal para partilha rápida.
- Tamanho Máximo: Uma nova opção que permite descarregar imagens em resolução 4K, pensada para impressão ou uso profissional.
Outra novidade em desenvolvimento é a ferramenta “Likeness”. Embora ainda em fase embrionária, esta funcionalidade parece destinada a ajudar os utilizadores a verificar a autenticidade de vídeos gerados por IA, uma medida de segurança cada vez mais necessária num mundo de deepfakes.
Com estas adições, a Google está a atacar em duas frentes: facilitar a entrada de novos utilizadores e oferecer ferramentas de criação mais profissionais para os manter lá.
Outros artigos interessantes:









