A OpenAI quebrou o tabu. A empresa que lidera a revolução da Inteligência Artificial confirmou oficialmente que começou a testar a introdução de publicidade no ChatGPT. Embora os rumores já circulassem há algum tempo (e tenham sido alvo de sátira pela concorrência, como a Anthropic), a realidade chegou agora aos utilizadores nos Estados Unidos, marcando uma mudança fundamental no modelo de negócio da plataforma.
A decisão visa sustentar os custos astronómicos de infraestrutura da IA e democratizar o acesso a funcionalidades avançadas, mas levanta questões inevitáveis sobre a privacidade e a confiança na neutralidade das respostas.
Quem vai ver anúncios? (E quem se safa)
A boa notícia para os utilizadores premium é que a OpenAI decidiu proteger os seus planos mais caros. Os anúncios não aparecerão para subscritores dos planos Plus, Pro, Business, Enterprise e Education.
O alvo deste teste são os utilizadores adultos nos EUA que utilizam:
- A versão Gratuita: A grande maioria da base de utilizadores.
- O novo plano “Go”: Uma subscrição mais acessível (8 dólares/mês) que oferece vantagens sobre o grátis, mas que agora incluirá publicidade como contrapartida pelo preço reduzido.

Como funcionam os anúncios? Cozinha e contexto
A OpenAI garante que a publicidade será visualmente distinta. Os anúncios aparecerão como colocações patrocinadas claramente rotuladas, separadas das respostas normais da IA para evitar confusão.
A relevância dos anúncios será determinada pelo contexto da conversa. Se estiveres a discutir receitas ou ideias para o jantar, poderás ver promoções relacionadas com serviços de entrega de comida ou supermercados. O sistema utiliza também o histórico de conversas anteriores e interações passadas com anúncios para afinar a seleção.
A empresa foi rápida a assegurar que as respostas do ChatGPT permanecem independentes. Os anunciantes não podem influenciar o que a IA diz, apenas o que aparece nos espaços publicitários dedicados.
Privacidade e tópicos sensíveis
A privacidade é o campo de batalha. A OpenAI afirma que os anunciantes não têm acesso às tuas conversas individuais nem aos teus dados pessoais. Apenas dados agregados de desempenho (como cliques e visualizações) são partilhados.
Além disso, foram implementadas salvaguardas éticas. A publicidade está bloqueada em conversas sobre temas sensíveis, como saúde, política ou saúde mental, garantindo que momentos de vulnerabilidade ou pesquisa crítica não são explorados comercialmente. Os utilizadores terão também controlo sobre as definições de anúncios, podendo gerir preferências de personalização e dar feedback.
Esta mudança alinha o ChatGPT com o modelo de negócio da Google e do Facebook, trocando dados de atenção por acesso gratuito. Resta saber se os utilizadores aceitarão a intrusão comercial ou se procurarão refúgio em alternativas “limpas” como o Claude.
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