Jimmy Donaldson, mundialmente conhecido como MrBeast, deixou há muito de ser apenas um rapaz que faz vídeos no YouTube. Com 466 milhões de subscritores no seu canal principal e uma marca que vale milhares de milhões, Donaldson é hoje um dos empresários mais influentes da sua geração. Na passada segunda-feira, o seu conglomerado, a Beast Industries, anunciou a aquisição da Step, uma aplicação bancária desenhada especificamente para adolescentes e jovens adultos.
Este movimento marca a entrada oficial do “Rei do YouTube” no setor dos serviços financeiros, uma jogada que, à primeira vista, pode parecer surpreendente, mas que faz todo o sentido estratégico quando analisamos o perfil da sua audiência e os seus planos futuros.
De dar dinheiro a gerir dinheiro
MrBeast construiu o seu império com base na filantropia de espetáculo, oferecendo ilhas, casas e somas avultadas de dinheiro em vídeos virais. Agora, a narrativa está a mudar. A aquisição da Step surge apenas alguns meses depois de Donaldson ter anunciado a intenção de lançar um novo canal de YouTube focado inteiramente em finanças pessoais e investimento.
A compra da Step não é apenas um investimento passivo; é a aquisição da infraestrutura necessária para operacionalizar esse novo conteúdo. Em vez de apenas ensinar os seus seguidores a gerir dinheiro, MrBeast vai oferecer-lhes a ferramenta para o fazerem. É a integração vertical perfeita entre conteúdo educativo e produto financeiro.

Step: O banco da Geração Z
A escolha da Step em detrimento de outros neobancos como a Revolut ou a Monzo não foi acidental. A Step posiciona-se num nicho muito específico: serviços bancários móveis para adolescentes.
A aplicação permite que jovens com menos de 18 anos abram contas bancárias (com supervisão parental), obtenham um cartão Visa garantido para construir histórico de crédito cedo e aprendam literacia financeira. Dado que a base de fãs de MrBeast é composta maioritariamente pela Geração Z e Geração Alpha, a sinergia é óbvia. Donaldson não está a tentar convencer banqueiros de Wall Street a mudar de conta; está a falar diretamente para o seu público, oferecendo-lhes o seu primeiro cartão bancário.
Curiosamente, a Step já tinha o ADN da “economia dos criadores”. Entre os seus investidores anteriores encontram-se influenciadores massivos como Charli D’Amelio e Josh Richards. D’Amelio, inclusive, já tinha colaborado com MrBeast em vídeos, o que sugere que esta aquisição foi facilitada por uma rede de contactos já estabelecida no mundo dos influenciadores digitais.
O ecossistema “Beast”: Snacks, Telemóveis e Bancos
Com esta aquisição, a Beast Industries começa a assemelhar-se a um conglomerado tradicional com tentáculos em vários setores da economia real. O portefólio de MrBeast já inclui:
- Feastables: Uma marca de snacks e chocolates que desafia gigantes como a Hershey’s nas prateleiras dos supermercados.
- Beast Mobile: Uma futura operadora de serviços móveis.
- Restauração: Uma cadeia de “cozinhas fantasma” (ghost kitchens) que, apesar de alguns soluços, mostrou o poder da marca na entrega de comida.
Ao adicionar a Fintech a esta lista, MrBeast ganha uma “vantagem injusta” no mercado. Enquanto os bancos tradicionais gastam fortunas em publicidade para angariar novos clientes (o Custo de Aquisição de Cliente, ou CAC), MrBeast pode simplesmente fazer um vídeo. Com um alcance de quase 500 milhões de pessoas, ele pode transformar a Step na aplicação financeira mais descarregada do mundo da noite para o dia, sem gastar um cêntimo em marketing tradicional.
Para a banca tradicional, isto é um aviso: a próxima grande instituição financeira pode não nascer em Nova Iorque ou Londres, mas sim num estúdio de YouTube na Carolina do Norte.
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