A privacidade é uma das maiores preocupações dos utilizadores de smartphones modernos. Quantas vezes não estivemos num transporte público, num café movimentado ou na fila do supermercado e sentimos que alguém estava a ler as nossas conversas por cima do ombro? Este fenómeno, frequentemente conhecido como “shoulder surfing”, tem sido combatido maioritariamente através de películas de ecrã escurecidas ou filtros de software que reduzem o brilho e a legibilidade.
No entanto, a indústria tecnológica está prestes a dar um salto qualitativo gigantesco. De acordo com novas fugas de informação, a próxima geração de topos de gama Android, liderada pelas séries Xiaomi 18 e Vivo X500, vai integrar tecnologia “anti-espião” diretamente no hardware do próprio ecrã.

A revolução do hardware na privacidade visual
A revelação foi feita pelo conceituado leaker chinês Digital Chat Station (DCS), que tem um histórico quase imaculado no que toca a prever as tendências da indústria asiática de smartphones. Segundo a sua mais recente publicação, vários fabricantes domésticos chineses estão atualmente a testar painéis de visualização avançados que bloqueiam a visão lateral a nível de hardware.
Esta nova tecnologia afasta-se radicalmente das soluções tradicionais e muitas vezes frustrantes. Em vez de obrigar o utilizador a comprar e colar um acessório extra — que quase sempre degrada a qualidade da imagem, diminui o brilho máximo e interfere com a sensibilidade do toque —, os novos ecrãs vão conseguir manipular a direção da luz emitida pelos píxeis OLED. Isto significa que, para o utilizador legítimo que está a olhar de frente para o telemóvel, o ecrã manter-se-á perfeitamente brilhante, incrivelmente nítido e com cores precisas. No entanto, para qualquer pessoa que tente espreitar a partir de um ângulo lateral, o conteúdo ficará imediatamente obscurecido ou completamente invisível.
Esta abordagem nativa promete melhorar drasticamente a privacidade em ambientes públicos e fechados, sem que o consumidor tenha de comprometer a fantástica experiência visual que se exige num smartphone de gama premium, que frequentemente ultrapassa a barreira dos mil euros.
O rasto da Samsung e a adoção generalizada
A inspiração para esta corrida tecnológica parece ter tido origem na Coreia do Sul. A Samsung tem vindo a preparar o terreno ao longo dos últimos meses para estrear uma funcionalidade incrivelmente semelhante no seu muito aguardado Galaxy S26 Ultra, cujo lançamento global está previsto para a próxima semana.
A solução proposta pela Samsung, alegadamente denominada “Privacy Display”, utilizará painéis OLED altamente avançados capazes de ocultar seletivamente o conteúdo do ecrã de olhares laterais, dispensando qualquer tipo de película. Mais interessante ainda é a perspetiva de personalização que o sistema de software da marca oferecerá. Os relatórios mais recentes indicam que este ecrã de privacidade da Samsung poderá ser configurado pelo utilizador para se ativar de forma totalmente automática em momentos críticos e sensíveis — como quando se está a introduzir palavras-passe, a aceder a aplicações bancárias ou a receber notificações privadas —, mantendo-se num modo de visualização alargada e partilhada para o consumo normal de vídeos do YouTube ou visualização de fotografias.
O sucesso e a recetividade desta funcionalidade no Galaxy S26 Ultra servirão, muito provavelmente, como o derradeiro teste de aceitação de mercado. Contudo, as marcas concorrentes não estão dispostas a esperar para ver os resultados, acelerando o seu próprio desenvolvimento para garantirem paridade tecnológica o mais rapidamente possível e não ficarem para trás na inovação.

O calendário de lançamentos: setembro de 2026
As informações partilhadas sugerem que os primeiros smartphones de marcas chinesas a ostentar esta tecnologia inovadora serão revelados oficialmente por volta do mês de setembro deste ano.
Na linha da frente estarão a série Xiaomi 18, que se espera que seja alimentada pelo futuro e superpotente processador Snapdragon 8 Elite Gen 6 da Qualcomm, e a gama Vivo X500, que deverá marcar a estreia mundial do poderoso chipset Dimensity 9600 da MediaTek. Se os intensos testes internos atualmente em curso decorrerem como planeado e com sucesso, estes dispositivos poderão marcar o início de um novo e altamente desejado padrão de segurança na indústria móvel.
Seguindo o exigente calendário habitual de lançamentos tecnológicos, o mês de outubro poderá trazer ainda mais concorrência equipada com esta tecnologia. A Oppo deverá apresentar a sua renovada linha Find X10, e a Honor não deverá ficar para trás com a apresentação da série Magic 10. Outros flagship killers e topos de gama aclamados, como o iQOO 16, o OnePlus 16 e o Realme GT 9 Pro, também estão previstos para o mesmo período do final do ano. No entanto, os analistas apontam para uma possível e compreensível limitação mercadológica: tal como a Samsung deverá reservar esta tecnologia de ecrã em exclusivo para a edição Ultra do S26, é também altamente provável que os fabricantes chineses restrinjam a tecnologia anti-espião apenas aos seus modelos “Pro Max” ou “Ultra”, justificando assim o posicionamento de preço mais elevado e exclusivo desses modelos de topo de gama.
A segunda metade do ano desenha-se como o momento em que o hardware assume finalmente a responsabilidade total pela nossa privacidade visual, devolvendo a tranquilidade aos utilizadores.
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