Se estavas à espera que a Samsung continuasse a lançar telemóveis cada vez mais finos ou com dobras cada vez mais elaboradas apenas para tentar roubar o palco aos últimos lançamentos da Apple ou das marcas chinesas, vais ter de reajustar as tuas expectativas para este ano. A gigante tecnológica sul-coreana decidiu pisar no travão das experiências de formato e adotar uma estratégia de mercado muito mais pragmática e cautelosa.
De acordo com as recentes declarações de Won-Joon Choi, o Diretor de Operações Mobile da Samsung, a marca já não tem qualquer intenção de criar um rival direto para o tão falado iPhone Air, nem tem pressa absoluta em lançar um sucessor para o seu próprio telemóvel de ecrã triplo. O foco, agora, é ouvir o mercado.
O fim da ilusão ultrafina: o caso do Galaxy S25 Edge
Para perceberes exatamente o porquê desta mudança de rumo tão repentina, temos de olhar para os números frios das vendas recentes. Em 2025, a Samsung tentou antecipar-se à tendência dos telemóveis super finos com o lançamento do Galaxy S25 Edge. O objetivo parecia óbvio e ambicioso: oferecer uma alternativa elegante e de espessura reduzida aos consumidores antes da chegada do iPhone Air da concorrência.
Acontece que o público simplesmente não respondeu como a marca esperava. Segundo os relatórios de produção partilhados pela Bloomberg, entre os meses de setembro e dezembro de 2025, o Galaxy S25 Edge teve um volume de produção assustadoramente baixo, fixando-se na casa das 300.000 unidades. Se comparares este valor com os monstruosos 3,4 milhões de unidades do Galaxy S25 Ultra e os 2,9 milhões do Galaxy S25 padrão produzidos exatamente no mesmo período, percebes rapidamente a dimensão do fracasso.
Os consumidores demonstraram claramente que preferem os telemóveis tradicionais e robustos, que garantem grandes baterias e câmaras de topo, em vez de sacrificarem essas características por um perfil ligeiramente mais fino. Como resultado lógico desta falta de procura, a Samsung cortou o mal pela raiz e removeu qualquer versão “Edge” ou ultrafina do alinhamento da recém-lançada família Galaxy S26.

O telemóvel que dobra em três fica em pausa
A extrema cautela da Samsung estende-se também ao mundo futurista dos ecrãs flexíveis. Embora a marca tenha sido uma das pioneiras a demonstrar conceitos e a lançar um dos primeiros dispositivos comerciais a dobrar em três partes, o famoso Galaxy Z TriFold, se já estavas a poupar para comprar a segunda geração, podes guardar a carteira por mais uns tempos.
O executivo da empresa deixou bem claro que a Samsung não está atualmente comprometida com a criação de um sucessor imediato para este formato complexo. A justificação para esta pausa é puramente comercial. Antes de avançarem com a produção massiva de designs tão intrincados e dispendiosos, a marca quer avaliar a verdadeira maturidade da tecnologia, a utilidade real para quem o usa no dia a dia e, crucialmente, se o mercado está disposto a absorver e pagar por estes equipamentos. A Samsung recusa-se a lançar formatos inovadores apenas para ganhar manchetes tecnológicas se a viabilidade financeira da operação não estiver totalmente garantida.
O segredo do Ecrã de Privacidade que chegou atrasado
Outra revelação fascinante da entrevista de Choi prendeu-se com a tecnologia de ecrãs. Se acompanhaste o lançamento do novo Galaxy S26 Ultra, certamente reparaste no inovador “Privacy Display” (Ecrã de Privacidade), uma tecnologia construída diretamente no hardware do painel que impede que as pessoas sentadas ao teu lado consigam ler o que estás a fazer no telemóvel.
O que quase ninguém sabia é que esta funcionalidade incrível estava originalmente planeada para ter saído no ano passado, no Galaxy S25 Ultra. O responsável confessou que a equipa de engenharia “estava quase lá”, mas acabou por esbarrar em desafios técnicos de última hora que os forçaram a adiar a novidade por um ano inteiro. Foi uma jornada complexa para garantir que a qualidade de imagem frontal não sofria qualquer degradação por causa do filtro lateral de privacidade.
A icónica S-Pen não vai a lado nenhum
Para os eternos fãs da produtividade e herdeiros da lendária linha Note, as notícias são excelentes e muito tranquilizadoras. Apesar de a caneta digital S-Pen ter tido muito menos tempo de antena na recente apresentação da linha S26 (e de ter sofrido alguns cortes no passado), Choi fez questão de confirmar que ela continua a ser uma tecnologia absolutamente central e intocável para a Samsung.
A grande novidade partilhada é que os engenheiros estão a trabalhar ativamente numa nova e avançada estrutura de ecrã para a próxima geração da S-Pen. O grande objetivo é diminuir substancialmente a “penalização” física que a inclusão deste estilete exige, nomeadamente o espaço interno valioso que rouba à bateria ou ao módulo de câmaras. Assim, poderás continuar a tirar as tuas notas rápidas e a desenhar no ecrã com toda a precisão, sem que o teu telemóvel tenha de ser desnecessariamente grande ou pesado para a acomodar.
Fica totalmente provado com estas declarações que a Samsung vai focar-se em 2026 naquilo que realmente usas e valorizas num smartphone, deixando as experiências de formato arriscadas para as marcas que ainda sentem a necessidade de provar a sua capacidade de inovação ao mercado.
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