O Gemini 4 Argon já está disponível globalmente na aplicação Gemini e no Modo IA da Pesquisa Google para subscritores dos planos Google AI Pro e Google AI Ultra. Após uma fase inicial restrita a parceiros de cibersegurança do programa Fairwind no final de setembro, a Google alarga agora o acesso ao seu modelo de raciocínio mais avançado a consumidores com subscrição ativa e a programadores através da Gemini API e do Google AI Studio.

A atualização vem acompanhada por novas ferramentas de execução autónoma de tarefas na aplicação principal, integração com mais de 40 serviços externos e a chegada da interface de programação Google Antigravity ao computador através do macOS.
Respostas mais diretas e acompanhamento em tarefas longas
Desenvolvido sobre uma arquitetura Mixture-of-Experts (MoE) esparsa, o modelo de quarta geração substitui o previsto Gemini 3.5 Pro para assumir o topo da oferta da Google em raciocínio multimodal. Segundo Josh Woodward, vice-presidente do Google Labs e da aplicação Gemini, o modelo foi ajustado para responder de forma mais direta, com menos rodeios, menos repetições e menor recurso a lugares-comuns.
Nos pedidos complexos que exigem vários passos de processamento, a espera prolongada por uma resposta única deixa de bloquear a interação. O sistema passa a apresentar atualizações de progresso com maior frequência enquanto processa a informação em segundo plano, o que permite acompanhar o raciocínio sem aguardar pela conclusão total da tarefa.
Alternância entre conversação, tarefas autónomas e código
A chegada do novo modelo traz três alterações funcionais à experiência de utilização da aplicação Gemini:
- Modo de tarefas em segundo plano: A janela principal de conversação passa a incluir um seletor direto para alternar entre o modo de chat e o modo de tarefas. Quando o utilizador delega uma tarefa, o assistente pode continuar o trabalho de forma autónoma mesmo que o utilizador feche a aplicação ou saia do computador, em articulação com o agente de IA empresarial da Google anunciado recentemente.
- Integração com mais de 40 aplicações: O ecossistema de extensões passa a ligar o assistente a mais de quatro dezenas de plataformas externas, como Adobe, Shopify, OpenTable e Instacart, além das aplicações do Google Workspace. Na prática, permite executar ações de ponta a ponta desde a reserva de mesas até à edição visual e gestão de lojas online, embora a disponibilidade de serviços como o Instacart dependa do mercado geográfico.
- Google Antigravity no macOS: Para tirar partido dos avanços do modelo em engenharia de software, a aplicação Gemini para macOS integra agora a interface de programação por agentes do Google Antigravity, o que facilita a transição rápida entre uma conversa normal e a escrita ou depuração de código.
Capacidade técnica de 1 milhão de tokens e limites do modelo
De acordo com a ficha técnica da Google DeepMind, o Gemini 4 Argon suporta entradas multimodais de texto, imagem, áudio, vídeo e documentos PDF, com uma janela de contexto unificada de 1.048.576 tokens. O principal salto técnico reside na capacidade de descodificação longa (long decode), que permite gerar até 1 milhão de tokens de texto numa única resposta, face ao limite síncrono padrão de 65.536 tokens. Esta capacidade destina-se sobretudo à refatorização de grandes bases de código e à síntese simultânea de centenas de documentos financeiros ou jurídicos.
Em testes internos, a Google afirma que o uso do modelo no Antigravity aumentou a submissão de código por agentes em mais de 35% e reduziu as reversões de código (rollbacks) em quase um terço. A tecnológica utilizou o modelo para separar cerca de 6 milhões de linhas de código antigo numa base de 40 milhões de linhas do projeto Chromium, num trabalho de arquitetura concluído em semanas em vez de meses.
Apesar do avanço no índice composto Vals Index, onde a Google reclama o primeiro lugar em tarefas financeiras, jurídicas, fiscais e de programação, e de uma taxa de sucesso de ataques de injeção indireta de prompts reduzida para 0,7% no teste Gray Swan, o modelo mantém limitações importantes. A data limite de conhecimento (knowledge cutoff) está fixada em março de 2026, o mesmo patamar temporal da linha Gemini 3.5 Flash lançada em julho. Além disso, o modelo produz apenas texto (não gera imagem nem áudio nativamente), não suporta a Live API e pode apresentar lentidão ocasional ou falhas de tempo limite (timeouts) em processos muito extensos.
Preços e disponibilidade em Portugal
O acesso ao Gemini 4 Argon não está disponível na versão gratuita do assistente nem no plano intermédio Google AI Plus (4,99 euros mensais). Em Portugal, os utilizadores podem aceder ao novo modelo através das seguintes modalidades:
- Google AI Pro: 21,99 euros por mês (inclui acesso ao Gemini 4 Argon na aplicação Gemini e no Modo IA da Pesquisa, além de 5 TB de armazenamento na nuvem).
- Google AI Ultra: A partir de 99,99 euros por mês na modalidade 5x ou 219,99 euros mensais na modalidade 20x (adiciona limites de utilização superiores e acesso completo ao ambiente Google Antigravity).
- Gemini API e Google AI Studio: Disponível para programadores com um preço promocional de lançamento de 2 dólares (cerca de 1,85 euros à taxa de câmbio atual) por milhão de tokens de entrada e 10 dólares (cerca de 9,25 euros) por milhão de tokens de saída, com desconto de 95% para dados em cache. Estes valores na API duplicam para 4 dólares e 20 dólares, respetivamente, a partir de 30 de novembro de 2026.
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