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IA ofensiva impulsiona industrialização do cibercrime

Alfredo Beleza por Alfredo Beleza
14/10/2025
Em Notícias

A NTT DATA publicou hoje, 14 de outubro, o seu “Relatório de Tendências e Ciberameaças”, que analisa o primeiro semestre de 2025 e detalha a crescente utilização de IA ofensiva (inteligência artificial ofensiva) para automatizar e sofisticar ataques. O estudo revela um ecossistema de ameaças em aceleração, onde a profissionalização de grupos de ransomware e a padronização de vetores de acesso inicial estão a tornar o cenário de risco mais opaco e imprevisível.

A análise correlaciona a instabilidade geopolítica e os eventos climáticos com o aumento da pressão sobre infraestruturas críticas, que se tornam alvos prioritários. Neste contexto, as interrupções operacionais consolidam-se como o principal impacto para as organizações, elevando o custo global do cibercrime, que, segundo estimativas da Cybersecurity Ventures citadas no relatório, poderá atingir 15 biliões de dólares até ao final do ano.

Ia ofensiva impulsiona industrialização do cibercrime
Imagem gerada por IA (Firefly image 4)

A instrumentalização da inteligência artificial

O relatório identifica a IA como um catalisador para a nova geração de ciberataques. A tecnologia está a ser sistematicamente empregue para reduzir as barreiras de entrada para atores de ameaça com menor proficiência técnica e para aumentar a eficácia de operações complexas.

As suas aplicações ofensivas incluem:

  • Engenharia social avançada: Desenvolvimento de campanhas de spear phishing altamente personalizadas e convincentes através de ferramentas como FraudGPT e WormGPT.
  • Criação de desinformação: Geração de identidades falsas e produção de deepfakes (áudio e vídeo) para contornar mecanismos de verificação de identidade e para disseminar desinformação em massa.
  • Automação de código malicioso: Aceleração do desenvolvimento e da variação de scripts maliciosos, dificultando a sua deteção por assinaturas.

A profissionalização do ecossistema de ataque

A análise da NTT DATA aponta para uma consolidação de modelos de negócio no cibercrime, com destaque para o crescimento do crime-as-a-service. Os Initial Access Brokers (IABs), intermediários especializados na venda de acessos a redes corporativas, ampliaram a sua oferta em 15%, servindo como a primeira fase de operações de ransomware, que por sua vez cresceram 32%.

O modelo Ransomware-as-a-Service (RaaS) domina o panorama, permitindo a atores de ameaça terceirizar componentes do ataque, partilhar infraestruturas e reutilizar ferramentas de grupos desarticulados. Esta especialização funcional torna as operações mais resilientes e difíceis de atribuir. A recente desarticulação do BreachForums levou a uma reconfiguração do mercado clandestino, que se tornou mais descentralizado e resiliente.

Análise de impacto: custos e alvos setoriais

O relatório sublinha que a vulnerabilidade é transversal a toda a economia, com uma redução de 8% na variabilidade de impacto entre diferentes setores. Isto indica que nenhum segmento está imune, embora a administração pública continue a ser o alvo com maior volume de ataques registados, seguida pela educação, finanças e serviços de TI.

A dimensão económica das ameaças reflete-se na resposta das organizações. Em momentos de crise, o estudo revela que as empresas podem aumentar o seu orçamento para contenção de incidentes em até 40%. Esta alocação reativa de recursos, somada ao pagamento de resgates, contribui diretamente para a escalada dos custos globais associados ao cibercrime.

Conclusão

As conclusões do relatório da NTT DATA indicam uma mudança de paradigma na ciberdefesa. A questão deixou de ser “se” uma organização será atacada, para se focar em “quando, como e com que propósito”. A sofisticação e a acessibilidade de ferramentas de ataque, impulsionadas pela IA ofensiva e por modelos as-a-service, exigem que a proteção reativa seja suplantada por uma postura proativa. A recolha de informação sobre ameaças, a deteção precoce e a colaboração institucional emergem não como opções, mas como componentes essenciais de uma estratégia de resiliência digital viável.

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Alfredo Beleza

Alfredo Beleza

É o fundador e director editorial do TecheNet. Com carreira internacional como CEO e director comercial e de marketing em empresas em Portugal, na Suíça e no Brasil, desenvolveu uma perspectiva aprofundada sobre a intersecção entre tecnologia, negócios e mercados globais. Com formação em Gestão, Administração e Marketing pela Webster University, na Suíça, fundou o TecheNet como um projecto editorial comprometido com o rigor e a imparcialidade da informação tecnológica em língua portuguesa.

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