A Apple arriscou e, ao que tudo indica, perdeu a sua aposta mais recente no design. O iPhone Air, o modelo ultrafino lançado este ano para iniciar uma nova era de smartphones elegantes, está a lutar para conquistar o público, e a sua fraca performance de vendas já está a ter consequências diretas nos planos futuros da Apple. Um novo e credível relatório sugere que a empresa de Cupertino optou por um movimento raro: o adiamento indefinido do lançamento da próxima geração do iPhone Air.
A notícia, avançada pela publicação The Information, que cita fontes próximas do projeto, indica que a Apple já notificou engenheiros e parceiros de que o sucessor do iPhone Air foi removido do calendário de lançamentos para o próximo ano. Esta suspensão, que não foi acompanhada de uma nova data, levanta sérias questões sobre o futuro a longo prazo desta ambiciosa linha de smartphones.
As vendas abaixo do esperado e os cortes na produção
Apesar de a Apple nunca divulgar números oficiais de vendas por modelo, várias agências de análise de mercado são unânimes: o iPhone Air está a ter um desempenho abaixo do esperado. Lançado com grande hype e posicionado como o futuro do design, o smartphone ultrafino não conseguiu cativar a base de utilizadores.
Este fraco desempenho já teve um impacto na produção:
- Corte de Produção: A Apple terá cortado a produção do iPhone Air em cerca de um milhão de unidades ainda este ano.
- Fim Iminente: A Foxconn, a principal fabricante, terá planos para cessar totalmente a produção do iPhone Air até ao final deste mês, sinalizando que a Apple não tem stock para escoar.
O fracasso é atribuído, em grande parte, aos compromissos que o design ultrafino exigiu. O iPhone Air foi criticado por ter uma bateria mais pequena e por ter feito sacrifícios no módulo de câmara para conseguir o seu perfil de 5.5 mm de espessura. Os consumidores, ao que parece, continuam a preferir a autonomia e a performance fotográfica à estética extrema.

Adiado, mas não cancelado: um futuro incerto
O relatório sublinha que o projeto da segunda geração do iPhone Air foi adiado, mas não cancelado. Isto significa que o hardware e o design não foram totalmente descartados pela Apple, mas o projeto perdeu a sua relevância e urgência.
A engenharia e os parceiros que trabalhavam no desenvolvimento do sucessor (que seria o iPhone Air 2) estão agora em modo de espera. É uma manobra rara da Apple e um sinal claro de que a empresa está a repensar a sua estratégia para a categoria “ultrafino”.
O calendário da Apple para 2026
Este adiamento tem um impacto direto no que podemos esperar do evento de lançamento de setembro de 2026:
- Foco no ‘Pro’: O evento deverá centrar-se nos modelos mais potentes e lucrativos: o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max.
- O Dobrável como Trunfo: É cada vez mais plausível que a Apple aproveite este evento para, finalmente, apresentar o seu primeiro smartphone dobrável, uma tecnologia que a concorrência já domina e que a Apple precisa desesperadamente de introduzir para demonstrar inovação.
- Modelos Base em 2027: Os modelos mais acessíveis, o iPhone 18 e o iPhone 18 Plus (ou “e”), só deverão chegar ao mercado na primavera de 2027.
O timing para o regresso do iPhone Air é incerto. A Apple terá de esperar para ver se a tecnologia de bateria (como a bateria de silício, que promete mais autonomia em menos espaço) evolui o suficiente para que o design ultrafino não exija compromissos na funcionalidade.
A lição do iPhone Air é clara: numa era de smartphones de topo de gama com preços acima de 1.000 €, a estética pura não é um argumento de venda suficiente se vier acompanhada de falhas na bateria. A Apple descobriu da forma mais difícil que, para o utilizador moderno, a fiabilidade energética vale mais do que 1 mm de espessura.
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