Se passares algum tempo em fóruns de tecnologia ou redes sociais, a narrativa parece clara: ninguém gosta do Windows 11, a interface é confusa e a Inteligência Artificial está a ser forçada onde não deve. No entanto, a realidade dos números conta uma história radicalmente diferente. A Microsoft, pela voz do seu CEO Satya Nadella, anunciou que o Windows 11 atingiu oficialmente o marco histórico de mil milhões de utilizadores ativos.
Este número não é apenas um símbolo de escala; é uma prova de velocidade. Contrariando todas as expectativas negativas, o Windows 11 conseguiu atingir esta meta consideravelmente mais depressa do que o seu antecessor, o aclamado Windows 10.
Mais rápido que o Windows 10, apesar das barreiras
Segundo os dados revelados na apresentação de resultados da empresa, o Windows 11 cruzou a linha dos mil milhões exatamente 1.576 dias após o seu lançamento. Para comparação, o Windows 10 demorou 1.706 dias a fazer o mesmo.
Isto significa que o novo sistema operativo foi cerca de quatro meses mais rápido a massificar-se. Este feito é duplamente impressionante se considerarmos que o Windows 11 foi lançado com requisitos de hardware muito mais rigorosos (como a necessidade do chip TPM 2.0), que deixaram milhões de computadores mais antigos de fora da atualização, algo que o Windows 10 não teve de enfrentar.

O paradoxo dos dados: Microsoft vs. Statcounter
A confusão instala-se quando comparamos este anúncio oficial com relatórios recentes de empresas de análise como a Statcounter, que indicavam que a quota de mercado do Windows 11 tinha estagnado ou até descido nos últimos meses. Como é que ambos podem estar certos?
A resposta reside na metodologia. A Statcounter mede a utilização da web (visitas a sites). A Microsoft mede dispositivos ativos.
Existe uma “maioria silenciosa” de computadores — especialmente no setor empresarial — que utilizam o Windows 11 para trabalhar em aplicações locais, bases de dados ou intranets, e que raramente navegam na web pública que alimenta as estatísticas da Statcounter. Estes utilizadores corporativos contam para a Microsoft, mas são invisíveis para os analistas externos.
O fator empresarial e o fim do Windows 10
A aceleração na adoção deve-se, em grande parte, ao ciclo de renovação das empresas. Com o fim do suporte ao Windows 10 a aproximar-se, as grandes corporações estão a atualizar as suas frotas de PCs massivamente. Além disso, as vendas da época festiva e a antecipação de aumentos de preços no hardware para 2026 levaram muitos consumidores a comprar novos computadores que já vêm com o Windows 11 pré-instalado.
Um sucesso com asterisco
Apesar de ter entrado no clube dos “mil milhões”, a Microsoft não pode ignorar o sentimento negativo que paira sobre o sistema. As queixas sobre a instabilidade, os bugs e a inserção agressiva do Copilot e publicidade na interface são reais e afetam a satisfação do utilizador.
O Windows 11 é um colosso comercial, isso é inegável. Mas o desafio da Microsoft agora não é apenas conseguir que as pessoas usem o sistema (porque muitas vezes não têm escolha ao comprar um PC novo), mas sim fazer com que gostem de o usar.
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