Se estavas a planear montar um servidor caseiro ou expandir o armazenamento do teu computador com um disco rígido (HDD) tradicional para poupar uns euros, temos más notícias para ti. A Western Digital, uma das maiores fabricantes do mundo neste setor, confirmou oficialmente que já não tem uma única unidade disponível para venda durante todo o ano de 2026. O cenário é de rutura total de stock, e a culpa recai sobre um gigante que tem dominado todas as conversas tecnológicas: a Inteligência Artificial (IA).
A confirmação veio diretamente de Irving Tan, CEO da Western Digital, durante a mais recente conferência de apresentação de resultados da empresa. Segundo o executivo, a procura por parte de clientes empresariais e grandes centros de dados foi tão agressiva que toda a capacidade de produção da companhia para o corrente ano civil está completamente reservada.
Isto significa que, para o utilizador comum, encontrar um disco rígido da marca nas prateleiras das lojas ou em retalhistas online tornar-se-á uma tarefa hercúlea, se não impossível. O mercado está a viver um fenómeno de “atropelamento” do consumidor final. Enquanto dantes podias escolher entre várias capacidades e preços, agora os grandes contratos de fornecimento a longo prazo com gigantes tecnológicos têm prioridade absoluta.
Esta situação não é um caso isolado, mas sim o culminar de uma tempestade perfeita no hardware. Já tínhamos assistido a escassez severa em módulos de memória RAM e em unidades SSD (Solid State Drive), que viram os seus preços disparar devido a cortes na produção de chips NAND. Muitos utilizadores, perante o encarecimento dos SSDs, voltaram a olhar para os HDDs como a “tábua de salvação” económica para guardar grandes volumes de dados. Contudo, essa porta acaba de se fechar.

Inteligência artificial é o motor desta escassez
Podes perguntar-te por que razão há subitamente tanta fome de discos rígidos numa era em que tudo parece mover-se para memórias flash mais rápidas. A resposta reside na infraestrutura necessária para treinar e manter modelos de IA. Estas tecnologias geram e exigem o armazenamento de quantidades astronómicas de informação que não precisam, necessariamente, de estar acessíveis em milissegundos, mas que ocupam petabytes de espaço.
Os centros de dados estão a expandir-se a um ritmo frenético e, para estas empresas, o custo por terabyte dos discos rígidos continua a ser mais atraente do que o dos SSDs de alta capacidade. O resultado? Uma lista de espera que, segundo relatos do setor, já chega aos dois anos de atraso. Tu, como utilizador individual, estás agora a competir diretamente com as maiores empresas do planeta pelo mesmo componente básico.
O que esperar dos preços nos próximos meses
Se encontrares stock disponível nalguma loja, prepara a carteira. A lei da oferta e da procura é implacável: com a Western Digital (e possivelmente outros fabricantes a seguir o mesmo caminho) fora do jogo do retalho direto, as unidades que restam no mercado vão sofrer inflação. O que era a opção “barata” está a tornar-se rapidamente um artigo de luxo ou, pelo menos, um componente com preço inflacionado.
O impacto disto no teu quotidiano é direto. Se o teu PC precisa de mais espaço ou se gostas de manter cópias de segurança físicas de fotografias e vídeos, vais notar que o custo de entrada no armazenamento de alta capacidade subiu significativamente. Aquela ideia de que os discos rígidos eram uma tecnologia em declínio e, por isso, sempre acessível, caiu por terra em 2026.
Um horizonte sombrio que se estende até 2028
Se pensas que este é um problema passageiro que se resolverá no próximo Natal, desengana-te. Irving Tan revelou que a Western Digital já não está apenas a gerir o caos de 2026; a empresa já começou a vender antecipadamente a produção de 2027 e 2028. Através de acordos de longo prazo (LTA), dois grandes clientes já garantiram uma fatia substancial do que será fabricado nos próximos dois anos.
Esta estratégia de garantir o fornecimento com anos de antecedência é uma manobra de sobrevivência para as grandes infraestruturas de nuvem, mas deixa o mercado de consumo num estado de incerteza permanente. Como utilizador, ficas dependente das “sobras” da produção ou de linhas de produtos muito específicas que não interessem ao setor empresarial.
Resta saber como é que outras marcas, como a Seagate ou a Toshiba, vão reagir a este movimento. Se seguirem a tendência da Western Digital, podemos estar perante um bloqueio total do mercado de armazenamento magnético para o público geral. Se precisas mesmo de espaço, o conselho é simples: se vires um disco a um preço razoável hoje, não esperes por amanhã, porque amanhã ele poderá nem existir.
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