Desde que Neal Mohan, o CEO do YouTube, confirmou que a televisão se tornou o principal dispositivo de consumo da plataforma, a empresa não tem poupado esforços para adaptar a interface do “grande ecrã” a algo mais do que uma simples experiência passiva. Após um 2025 repleto de atualizações, surge agora uma funcionalidade que promete mudar a forma como interages com o comando da tua Smart TV.
O YouTube está a expandir oficialmente os testes da sua ferramenta de inteligência artificial conversacional para televisões, consolas de jogos e dispositivos de streaming. Se costumas utilizar a aplicação no teu smartphone ou no computador, talvez já tenhas reparado num pequeno ícone brilhante — o símbolo do Gemini — que permite “conversar” com o vídeo. Essa mesma tecnologia está agora a caminho da tua sala de estar.
Como funciona a nova assistência por voz na tua TV
A ideia por trás desta inovação é simples: transformar o conteúdo que vês em algo interativo. Através de um novo botão “Perguntar” (Ask), que aparece por baixo da barra de reprodução, podes utilizar o microfone do teu comando para interagir com a inteligência artificial.
Não se trata apenas de uma pesquisa básica por voz. Esta ferramenta analisa o conteúdo do vídeo que estás a reproduzir em tempo real. Podes, por exemplo, pedir um resumo dos pontos principais de um documentário, solicitar recomendações de vídeos semelhantes ou até fazer perguntas específicas sobre algo que foi dito ou mostrado no ecrã. A IA processa a informação e apresenta-te as respostas diretamente na interface da televisão.
Para facilitar a experiência, o sistema também sugere perguntas automáticas. Se estiveres a ver um vídeo de culinária, a IA pode sugerir que perguntes pela lista de ingredientes; num vídeo de tecnologia, pode oferecer-te uma comparação de especificações do produto em análise.

Um teste restrito para um grupo selecionado
Apesar do entusiasmo que esta funcionalidade possa gerar, o YouTube está a adotar uma estratégia de lançamento cautelosa. Atualmente, a novidade está disponível apenas para um “pequeno grupo de utilizadores”. Isto significa que, mesmo que tenhas o modelo de televisão mais recente ou a última consola do mercado, poderás ainda não ter acesso a este botão de IA.
Existem outros critérios que determinam a disponibilidade desta ferramenta:
- Compatibilidade do vídeo: A funcionalidade não aparece em todos os conteúdos. A IA precisa de processar o vídeo previamente, pelo que apenas alguns canais e tipos de conteúdo suportam o botão “Perguntar” nesta fase inicial.
- Restrições geográficas e de idioma: Por enquanto, a ferramenta está limitada a regiões selecionadas e a cinco idiomas principais: português, inglês, espanhol, hindi e coreano.
Se fores um dos escolhidos para este teste, verás o ícone de brilho do Gemini na página de visualização. Caso contrário, terás de aguardar que o Google decida expandir a funcionalidade para o público em geral, algo que costuma acontecer após a recolha de feedback suficiente para garantir que a IA não comete erros graves de interpretação.
O esforço do Google para dominar a sala de estar
Esta movimentação não é por acaso. Ao longo do último ano, o YouTube tem tentado diferenciar-se de outras plataformas de streaming, como a Netflix ou o Disney+, focando-se na interatividade. Enquanto nas outras plataformas és um espectador passivo, o YouTube quer que participes, comentes e, agora, dialogues com o conteúdo através de inteligência artificial.
Esta funcionalidade é uma herança direta do que foi implementado em 2024 para dispositivos móveis. A transição para o ecrã da televisão apresenta desafios técnicos maiores, nomeadamente na forma como os utilizadores navegam sem um teclado físico. Ao integrar esta IA com o microfone do comando, o Google remove a barreira da escrita, tornando a consulta de informação muito mais natural enquanto estás sentado no sofá.
Fica atento às atualizações da aplicação de YouTube na tua Smart TV. Se vires um novo botão com um brilho familiar, podes estar prestes a testar uma das maiores mudanças na forma como consumimos vídeo nos últimos anos. Esta aposta reforça que a televisão já não serve apenas para “ver”, mas também para perguntar e aprender de forma dinâmica.
Outros artigos interessantes:










