Num momento em que a Inteligência Artificial, o advanced analytics e a automação estão a redefinir os modelos operacionais da logística, o setor entra numa nova fase marcada pela data-driven decision making, pela visibilidade end-to-end e pela capacidade de resposta em tempo real. Tecnologias como machine learning, IoT e plataformas integradas estão a transformar grandes volumes de dados em insights acionáveis, permitindo operações mais preditivas, eficientes e resilientes.
É neste contexto que a DSV, uma das maiores empresas logísticas do mundo, tem vindo a consolidar uma estratégia tecnológica assente na integração de sistemas inteligentes ao longo de toda a cadeia de valor. Em entrevista, António Paulo, Managing Director Road & Contract Logistics da DSV em Portugal, partilha como a empresa está a aplicar Inteligência Artificial nas suas operações, quais os principais casos de uso já em prática e de que forma estas tecnologias estão a moldar o futuro da logística — tanto ao nível dos processos como das competências das equipas.

1) A Inteligência Artificial está a transformar a logística. Como é que a DSV integra esta tecnologia nas suas operações?
A DSV está a integrar Inteligência Artificial de forma transversal, desde o planeamento do serviço de transporte ao seu acompanhamento em tempo real.
A tecnologia permite-nos transformar grandes volumes de dados operacionais em decisões rápidas e informadas, aumentando a eficiência e a previsibilidade das operações.
Os modelos de IA utilizados apoiam hoje a previsão de volumes, a identificação precoce de desvios e a otimização contínua dos processos, contribuindo para uma maior velocidade das operações e com fiabilidade reforçada.
2) Quais são atualmente as aplicações práticas de IA com maior impacto na logística?
Na DSV destacam-se várias aplicações já em utilização. Ao nível da previsão de procura, recorremos a modelos avançados que analisam padrões de consumo e sazonalidade, permitindo prever volumes de transporte em determinadas rotas com maior precisão. Na otimização das rotas de distribuição capilar, o TMS (transport management system) está complementado com algoritmos que calculam automaticamente as rotas e as combinações de carga mais eficientes, contribuindo para a redução de custos e de emissões de CO₂.
Destaca-se também o ETA preditivo, através do qual os nossos modelos antecipam os horários de chegada das unidades de transporte considerando as condições da operação em tempo real, efetuando ajustes contínuos. Paralelamente, na gestão inteligente de armazéns, ferramentas de IA permitem otimizar o posicionamento do inventário, prever tempos de processamento e melhorar a produtividade das operações.
O impacto destas aplicações traduz-se numa redução de desperdícios, maior fiabilidade e numa melhoria contínua da experiência do cliente.
3) Como é que a IA contribui para cadeias de abastecimento mais resilientes num cenário global incerto?
A IA permite nos dias de hoje à DSV monitorizar em tempo real fatores críticos que afetam a cadeia de abastecimento, desde condições meteorológicas a congestionamentos em toda a cadeia de transporte.
Com esta capacidade de previsão, conseguimos antecipar riscos, identificar rotas alternativas e ajustar automaticamente os planos de transporte antecipando proactivamente situações que podem afetar o fluxo normal da cadeia de valor dos nossos clientes.
Esta abordagem preditiva reduz significativamente o impacto de disrupções e torna toda a operação mais resiliente e adaptável num cenário complexo tendo em consideração os fenómenos geopoliticos que criam disrupções cada vez mais frequentes.
4) Que papel desempenham as plataformas tecnológicas e a análise de dados na tomada de decisão?
As nossas decisões operacionais assentam numa base tecnológica sólida que integra dados de transporte, armazém, IoT e monitorização numa única plataforma. Ferramentas avançadas de análise garantem visibilidade end-to-end, permitem a monitorização de KPIs críticos, asseguram a gestão automática de exceções e possibilitam a integração direta com os sistemas dos clientes.
Ao trabalharmos com dados em tempo real, aumentamos a precisão das operações e asseguramos um serviço mais consistente em toda a rede global da DSV. Desta forma, a tomada de decisão torna-se mais informada, robusta e com menor grau de subjetividade.
A tomada de decisão assenta assim numa base mais sólida e com menos subjetividade associada.
5) A transformação digital está a mudar o perfil das equipas. Como é que a DSV está a preparar os seus profissionais?
A evolução tecnológica é acompanhada por um forte investimento na capacitação das nossas equipas.
Estamos a promover programas de formação em ferramentas digitais, análise de dados e utilização de sistemas inteligentes, ao mesmo tempo que reforçamos equipas especializadas em automação, data science e engenharia de processos.
O objetivo é simples: garantir que os nossos colaboradores têm as competências necessárias para tirar o máximo partido das novas tecnologias e possam crescer profissionalmente alargando as suas competências.
O profissional de Transportes e Logística nos dias de hoje e naturalmente também no futuro, já não é apenas um operacional que gere as operações no terreno, agrega ao seu perfil um conjunto de valências técnicas de domínio destas ferramentas que lhe permitem ser mais eficiente sem necessariamente perder o seu ADN muito característico da atividade ligada á Supply Chain.
6) Que mudanças podemos esperar nos próximos anos com o avanço da IA na logística?
Essencialmente, a IA vai acelerar exponencialmente e de forma decisiva a transformação do setor.Nos próximos anos, esperamos avanços significativos impulsionados pela Inteligência Artificial, nomeadamente ao nível de um planeamento cada vez mais automatizado e em tempo real, ajustado às necessidades específicas de cada cliente. Prevemos também uma redução contínua da pegada carbónica, suportada por rotas mais otimizadas e por uma melhor utilização da capacidade instalada.A transparência será igualmente reforçada, com previsões de entrega mais precisas e uma monitorização permanente das operações. Paralelamente, os armazéns tornar-se-ão mais inteligentes, com a automação e a IA a trabalharem em conjunto para aumentar a produtividade.
Acreditamos que a IA será fundamental para construir cadeias de abastecimento mais eficientes, resilientes e sustentáveis, e a DSV está comprometida em liderar essa evolução.
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