A corrida pela supremacia no mundo da inteligência artificial acaba de ganhar um novo protagonista de peso. Durante o evento NVIDIA GTC 2026, em San Jose, na Califórnia, a Samsung Electronics surpreendeu a indústria ao apresentar, pela primeira vez a nível mundial, o seu novo chip de memória de sétima geração: a HBM4E. Esta revelação surge apenas um mês após a gigante sul-coreana ter anunciado a produção em massa da tecnologia HBM4, provando que o ritmo de inovação neste setor não mostra sinais de abrandamento.
Se acompanhas as novidades do hardware, sabes que a largura de banda é o grande gargalo dos sistemas modernos de IA. A Samsung parece ter encontrado a solução com a HBM4E. Este novo componente consegue atingir velocidades de transferência de dados impressionantes, chegando aos 16Gbps por pino. Na prática, isto traduz-se numa largura de banda total que alcança os 4TB/s, um valor que deixa as gerações anteriores a uma distância considerável.

Esta memória não foi desenhada para o teu computador doméstico ou para consolas de videojogos convencionais. O seu destino são os supercomputadores e os aceleradores de IA que alimentam modelos de linguagem complexos e sistemas de processamento de dados massivos. A eficiência e a velocidade são cruciais nestes cenários, e a HBM4E promete entregar exatamente o que as empresas de tecnologia necessitam para a próxima fase da computação.
A parceria estratégica com a NVIDIA e a plataforma Vera Rubin
Um dos momentos mais mediáticos do evento foi a visita de Jensen Huang, CEO da NVIDIA, ao expositor da Samsung. O executivo não se limitou a observar; assinou um wafer de memória HBM4 com a frase “Amazing HBM4”, um gesto que sublinha a confiança da líder do mercado de GPUs na tecnologia da marca coreana.
A expectativa é que a memória HBM4E venha a ser o coração da plataforma Vera Rubin Ultra da NVIDIA, cujo lançamento está previsto para a segunda metade de 2027. Para que este calendário se cumpra, a Samsung deverá iniciar a produção em massa destes chips já na primeira metade do próximo ano. Esta integração vertical entre o hardware de processamento da NVIDIA e a memória de ultra-alta velocidade da Samsung define o caminho para a infraestrutura tecnológica dos próximos anos.
Inovação técnica e o roteiro para o futuro
Para alcançar estes números, a Samsung não se limitou a aumentar frequências. A empresa apresentou a tecnologia Hybrid Cap Bonding (HCB), que se espera ser o grande diferencial competitivo face à concorrência. Esta técnica de empilhamento e ligação de camadas de memória permite uma maior densidade e uma dissipação térmica mais eficiente, fatores críticos quando falamos de chips que operam em regimes de alta performance constante.
Mas a visão da Samsung vai muito para além de 2026 ou 2027. Durante a conferência, foram revelados planos ambiciosos para as gerações seguintes. A empresa já trabalha na oitava geração, a HBM5, que utilizará o processo DRAM de classe 1c combinado com uma fundição de 2nm. Olhando ainda mais adiante, a nona geração (HBM5E) deverá assentar no processo DRAM de classe 1d, mantendo a litografia de 2nm. Este roteiro demonstra que a Samsung está decidida a manter a liderança tecnológica, antecipando as necessidades de processamento que ainda nem sequer existem.
Mais do que apenas memória de alta velocidade
Além da estrela da companhia, a HBM4E, a Samsung aproveitou o palco da NVIDIA GTC para mostrar outras soluções de armazenamento e memória. Entre elas, destaca-se o módulo de memória SOCAMM2 e o SSD PM1763. Ambos os componentes foram concebidos especificamente para serem integrados na infraestrutura de IA da NVIDIA, reforçando a ideia de que o futuro do hardware passa por uma simbiose total entre o armazenamento de dados e a capacidade de processamento.
Ao observar estas movimentações, percebes que o mercado está a mudar. Já não se trata apenas de quem tem o processador mais rápido, mas sim de quem consegue alimentar esse processador com dados de forma mais eficiente. Com a HBM4E, a Samsung coloca-se numa posição privilegiada para ditar as regras do jogo na era dos supercomputadores.
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