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A vitória da voz humana: Arc Raiders troca IA por atores reais

Vitor Urbano por Vitor Urbano
16/03/2026
Em Jogos, Gaming

A Embark Studios decidiu dar um passo atrás na utilização de inteligência artificial, substituindo várias linhas de voz geradas por algoritmos por gravações de atores profissionais. Patrick Söderlund, o diretor executivo do estúdio, admitiu abertamente que a diferença de qualidade é inegável, num movimento que reacende o debate sobre o papel da tecnologia na criação artística.

Se acompanhas o mundo dos videojogos, sabes que a utilização de inteligência artificial tem sido um dos temas mais quentes e divisivos dos últimos tempos. A Embark Studios, conhecida pela sua abordagem tecnológica avançada, viu-se recentemente no centro de uma polémica após o lançamento de Arc Raiders em outubro passado. Embora o jogo tenha sido um sucesso estrondoso, alcançando picos de quase meio milhão de jogadores em simultâneo no Steam, a presença de vozes sintéticas não passou despercebida — nem foi bem recebida por uma parte considerável da comunidade.

Arc raiders inteligência artificial

Agora, o estúdio decidiu agir. Numa entrevista recente à GamesIndustry.biz, Patrick Söderlund revelou que a equipa voltou ao estúdio de gravação para substituir “algumas” das linhas de voz geradas por IA por interpretações de atores profissionais. Esta decisão não é apenas uma resposta às críticas, mas sim um reconhecimento de que a tecnologia, por muito que avance, ainda não consegue replicar a alma e a subtileza do desempenho humano.

A qualidade que a tecnologia ainda não consegue alcançar

O argumento de Söderlund é simples e direto: um ator profissional é, simplesmente, melhor do que a inteligência artificial. “Existe uma diferença de qualidade”, afirmou o executivo. “Um ator profissional real é melhor do que a IA; é assim que as coisas são.” Esta afirmação ganha um peso especial vindo de um estúdio que sempre defendeu a eficiência e as novas ferramentas de produtividade.

No caso de Arc Raiders, a Embark Studios utilizou um sistema de text-to-speech (texto para voz) para preencher linhas de diálogo que considerava menos essenciais para a imersão profunda na experiência. É importante notar que o estúdio não agiu à revelia dos profissionais; os atores envolvidos foram pagos para dar o seu consentimento e licenciar as suas vozes para alimentar estas ferramentas de IA. No entanto, mesmo com o licenciamento legal assegurado, a receção dos utilizadores mostrou que a tecnologia ainda deixa a desejar quando se trata de transmitir emoção e autenticidade.

Um equilíbrio difícil entre eficiência e imersão

O desenvolvimento de videojogos modernos, especialmente títulos de grande escala como este extraction shooter, exige orçamentos colossais e tempos de produção que podem ultrapassar meia década. A Embark Studios tem tentado subverter este modelo, conseguindo produzir Arc Raiders com cerca de um quarto do orçamento de um título AAA tradicional. A IA foi, em grande parte, a ferramenta escolhida para atingir essa eficiência.

Contudo, o estúdio percebeu que poupar na voz pode custar caro na perceção do público. Quando jogas, esperas que o mundo ao teu redor pareça vivo. As vozes sintéticas, por mais avançadas que sejam, sofrem muitas vezes do efeito “vale da estranheza”, onde algo parece quase humano, mas falha em detalhes cruciais, resultando numa sensação de desconforto ou falta de naturalidade.

A decisão de trazer os atores de volta ao estúdio para “re-gravar” estas falas mostra que a Embark está atenta ao feedback. Söderlund confirmou que continuarão a contratar e a trazer estes profissionais de volta à medida que o jogo recebe atualizações de conteúdo, garantindo que o núcleo da narrativa e da interação mantenha o padrão de qualidade que os jogadores exigem.

O papel da IA no desenvolvimento moderno

Apesar deste recuo parcial, não esperes que a Embark Studios abandone totalmente a tecnologia. O CEO foi cauteloso ao referir que apenas “algumas” das linhas foram substituídas. Isto sugere que o estúdio ainda vê valor na IA para tarefas específicas, como diálogos de fundo de personagens não jogáveis ou sistemas de orientação que requerem flexibilidade rápida.

O que este caso nos ensina é que a inteligência artificial no mundo do entretenimento parece estar a encontrar o seu lugar como uma ferramenta de apoio, e não como um substituto absoluto. Para ti, enquanto jogador, isto significa que podes esperar mundos mais ricos e vastos, mas onde os momentos de maior carga emocional continuarão a ser entregues pela voz e pelo talento de seres humanos.

A indústria está a aprender, por vezes através da tentativa e erro, onde traçar a linha. Em Arc Raiders, a lição parece ter sido aprendida: no que toca à conexão emocional com o utilizador, o coração humano ainda não tem um algoritmo que o iguale.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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