A estratégia da Microsoft para o mercado de videojogos no PC pode estar prestes a sofrer uma autêntica revolução. Segundo novas informações, a gigante tecnológica está a repensar a sua divisão de gaming e a avaliar a possibilidade de retirar os seus títulos da Steam num futuro próximo.
Embora não seja uma saída imediata, devido à montanha de receitas que a loja da Valve ainda gera, a pressão interna para rentabilizar a operação é enorme. O objetivo passa por potenciar a sua própria plataforma e recuperar o controlo absoluto sobre as margens de lucro, que atualmente voam para a concorrência.
A atual postura híbrida da marca, que publica jogos simultaneamente na sua loja e na da Valve, tem um preço elevado. A empresa perde não só a comissão por cada venda, mas também o controlo direto sobre o ecossistema e a captação orgânica de subscritores para o seu PC Game Pass.

O desafio económico da nova consola Project Helix
O cenário ganha contornos muito mais complexos com o desenvolvimento da próxima geração, conhecida sob o nome de código Xbox Project Helix. Esta nova máquina foi desenhada para executar tanto jogos de consola como de computador, utilizando uma APU personalizada desenvolvida em parceria com a AMD. As primeiras versões de teste deste hardware deverão chegar aos estúdios já em 2027.
O plano original para a Project Helix apontava para um dispositivo semelhante a um computador de sala, focado no sistema operativo Windows e aberto a lojas externas. Contudo, uma arquitetura totalmente aberta impede a tecnológica de recuperar o dinheiro investido na máquina através da venda direta de software. É no mínimo um risco financeiro que a marca quer mitigar, pois apostar numa arquitetura demasiado livre acaba por limitar drasticamente a sua rentabilidade.
O peso do hardware e a necessidade de controlo
Dados internos recolhidos a partir da utilização de dispositivos como o ROG Ally provam esta verdadeira ameaça ao modelo de negócio. Cerca de 75% dos proprietários deste portátil têm uma subscrição ativa do Game Pass. Mas entre aqueles que não subscrevem o serviço, uns míseros 2% compraram jogos na loja oficial do Windows, preferindo saltar imediatamente para a concorrência.
Para que tenhas uma noção clara dos desafios que a marca enfrenta nos bastidores, eis alguns dados críticos sobre a produção atual e futura:
- O novo equipamento exigirá entre 32 a 48 GB de memória RAM, um salto gigantesco face aos atuais 16 GB.
- A empresa tem um prejuízo estimado de cerca de 138 euros por cada unidade da Xbox Series X ou Series S comercializada.
- O custo de fabrico da nova máquina vai disparar substancialmente devido ao aumento constante dos preços das memórias RAM e do armazenamento NAND.
Para evitar suportar sozinha este tremendo buraco financeiro no fabrico das consolas, a marca poderá ter de tomar medidas drásticas. Estas soluções de recurso passam por limitar ativamente as montras externas na Project Helix, cobrar um valor mais elevado por uma versão desbloqueada do Windows ou selar acordos exclusivos de partilha de receitas. No fundo, a tua liberdade de escolha na próxima geração poderá sair bastante cara.
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