A pressão da União Europeia para afastar a tecnologia chinesa das redes de telecomunicações continua a dar que falar, mas a fatura desta decisão promete ser bastante pesada. Se tens acompanhado esta novela do 5G, sabes que Bruxelas tem vindo a apertar o cerco a fornecedores classificados como sendo de alto risco.
Desta vez, foram as próprias gigantes das telecomunicações na Europa a bater o pé e a avisar os líderes europeus sobre as consequências desastrosas de uma proibição forçada. Uma aliança de líderes de topo do setor fez as contas e o resultado é no mínimo assustador para a economia do bloco comunitário.
Segundo os executivos de peso da indústria, substituir o equipamento de fabricantes como a Huawei e a ZTE vai custar nada menos do que 40 mil milhões de euros, um rombo que pode comprometer seriamente o futuro digital de todo o continente.

Uma carta aberta que faz tremer os planos de Bruxelas
Ao todo, 17 líderes de algumas das maiores operadoras do continente decidiram unir forças e enviar uma carta aberta à Comissão Europeia para alertar sobre o impacto financeiro destas medidas restritivas. Entre as operadoras que assinaram o apelo encontram-se pesos pesados do mercado internacional como a alemã Deutsche Telekom, a francesa Orange e a espanhola Telefónica.
O alerta surge como resposta direta às novas exigências propostas no âmbito do Digital Networks Act, com o qual a União Europeia pretende afastar fornecedores considerados de alto risco na área da cibersegurança. Embora os documentos oficiais evitem nomear empresas específicas, é mais do que evidente que o alvo primordial são as gigantes chinesas Huawei e ZTE.
A proposta comunitária prevê que as operadoras de telecomunicações tenham uma janela de apenas três anos para remover e substituir todos os componentes chineses das suas redes. Na perspetiva dos líderes das operadoras, trata-se de um prazo irrealista que arrisca asfixiar por completo os orçamentos que deveriam ser canalizados para a inovação.
O impacto financeiro e o atraso nas redes do futuro
Arrancar hardware já instalado para implementar novas soluções não representa apenas uma enorme dor de cabeça técnica, é também um sorvedouro financeiro sem precedentes. As operadoras alertam que este encargo de 40 mil milhões de euros vai retirar recursos que seriam essenciais para acelerar o desenvolvimento da fibra ótica, do 5G e da futura geração 6G.
Apesar da insistência de Bruxelas em expulsar estas tecnológicas, a adesão a estas diretrizes está longe de ser consensual ou uniforme entre os 27 Estados-membros:
- Suécia: Assumiu uma postura pioneira no continente e implementou de imediato uma proibição total aos equipamentos da Huawei e ZTE no 5G.
- Letónia: Seguiu uma via estrita idêntica, alinhando rapidamente as suas redes com as orientações de segurança europeias.
- França: Escolheu uma estratégia faseada, recusando a renovação de licenças para componentes da Huawei de modo a forçar a sua eliminação gradual.
- Alemanha: Prepara-se para seguir o mesmo caminho, estando em vias de retirar os componentes chineses do núcleo das suas redes até ao final do ano.
Enquanto a proposta continua sob forte debate entre o Parlamento Europeu e os governos nacionais, a incerteza paira sobre os operadores móveis. Forçar o setor a despender dezenas de milhar de milhões de euros para desmantelar infraestruturas perfeitamente operacionais por pura pressão política pode sair pela culatra e deixar a Europa ainda mais atrasada na corrida tecnológica global.
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