Os óculos inteligentes da Meta têm conquistado uma base sólida de utilizadores, mas a presença constante de câmaras nas hastes continua a gerar forte desconforto e desconfiança em locais públicos. Se pertences ao grupo de entusiastas que sempre hesitou em comprar este gadget devido a questões de privacidade, a tecnológica parece finalmente ter uma resposta à tua medida.
De acordo com uma fuga de informação avançada pelo The Information, a empresa de Mark Zuckerberg prepara o lançamento de um novo modelo de smart glasses que abdica por completo de sensores fotográficos. O dispositivo, desenvolvido internamente sob o nome de código Luna, deverá ser apresentado oficialmente muito em breve.
Esta mudança de rumo representa uma jogada estratégica e, convenhamos, bastante sensata: eliminar o estigma social associado à gravação de vídeo clandestina, sem abrir mão das funcionalidades de áudio e da integração com a assistente virtual da marca.

O projeto Luna quer afastar de vez os problemas de privacidade
Apesar do forte volume de vendas registado pelos modelos desenvolvidos em parceria com a Ray-Ban, a Meta tem estado debaixo de fogo devido a preocupações constantes com vigilância e assédio. As acusações de que estes óculos facilitam a gravação não consentida em espaços públicos mancharam a reputação do dispositivo, ao ponto de críticos apelidarem os aparelhos de “pervert glasses”.
Para tentar mitigar o problema, a fabricante implementou avisos luminosos através de luzes LED que piscam durante as filmagens. No entanto, vários utilizadores descobriram formas fáceis de tapar ou desligar os sensores, obrigando a tecnológica a lançar atualizações de emergência em agosto para fechar essas brechas de segurança. Com o novo modelo Luna, a marca corta o mal pela raiz ao suprimir totalmente a câmara.
A previsão aponta para que estes novos óculos sejam apresentados já durante a conferência de programadores Meta Connect, agendada para 23 e 24 de setembro, com os primeiros envios a começarem logo no mês de outubro.
As novidades no design e as especificações dos novos óculos
Mesmo sem a capacidade de tirar fotografias ou gravar vídeos, o novo acessório mantém um forte apelo tecnológico. O objetivo da Meta passa por transformar a armação num canal direto de comunicação com os seus modelos de inteligência artificial generativa, recorrendo a componentes desenhados para interação por voz.
As fugas de informação revelam já vários detalhes sobre a construção e o equipamento sonoro do dispositivo:
- Dois estilos de armação clássicos inspirados na Ray-Ban: Clubmaster e Burbank;
- Conjunto integrado de seis microfones para captação precisa da voz do utilizador;
- Altifalantes direcionais embutidos e orientados para os ouvidos;
- Botão físico dedicado numa das hastes para acionar rapidamente a Meta AI;
- Hastes significativamente mais finas que conferem a aparência de uns óculos tradicionais.
A eliminação dos componentes óticos permitiu aos engenheiros reduzir substancialmente a espessura e o peso da estrutura. Na prática, vais poder usá-los no dia a dia como uns óculos convencionais, graduados ou de sol, sem receio de olhares desconfiados por parte de quem se cruza contigo.
Um passo estratégico para conquistar um público mais alargado
Esta aposta prova que a Meta compreendeu finalmente a barreira psicológica que impedia muitos potenciais clientes de adotar a tecnologia vestível. Ao abdicar do elemento mais controverso do hardware, a fabricante foca-se no essencial da sua estratégia a longo prazo: colocar o ecossistema Meta AI no quotidiano do utilizador de forma discreta e socialmente aceitável.
Resta saber se os consumidores estarão dispostos a pagar por uns smart glasses cujo valor prático assenta sobretudo em auriculares Bluetooth embutidos com suporte para comandos de voz. Ainda assim, para quem procura assistência digital contínua sem ter de lidar com dilemas éticos ou olhares de reprovação na rua, esta alternativa pode muito bem ser o ponto de viragem para o segmento.
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