Seis satélites portugueses partem hoje para órbita a partir da base espacial de Vandenberg, na Califórnia, integrados na missão Transporter-16 da SpaceX. O lançamento está previsto para o intervalo entre as 11h20 e as 12h17 (hora portuguesa) e representa o maior passo até à data da Agenda New Space Portugal, liderada pela Geosat. A bordo seguem satélites da Força Aérea Portuguesa, do CEiiA, da N3O e da LusoSpace, num total que eleva para nove o número de satélites nacionais em órbita.

Os seis satélites: quem fez o quê
A Força Aérea Portuguesa leva radar para órbita
O satélite da Força Aérea Portuguesa é o elemento com maior peso estratégico desta missão. Trata-se de um satélite SAR (Synthetic Aperture Radar), tecnologia que permite observar a superfície terrestre em quaisquer condições meteorológicas, de dia e de noite, sem depender de luz solar nem de céu limpo. A capacidade incide diretamente sobre a proteção da Zona Económica Exclusiva portuguesa, uma das maiores da Europa, com implicações práticas na vigilância marítima, na resposta a emergências e em missões de defesa.
Com este satélite, a Constelação do Atlântico passa a combinar radar e ótica: dois modos de observação complementares que aumentam a fiabilidade e a frequência das imagens obtidas.
CEiiA e N3O: imagem a 70 centímetros por pixel
O segundo satélite ótico VHRLight NexGen, liderado pelo CEiiA e pela N3O em parceria com entidades internacionais, capta imagens com resolução de 70 centímetros por pixel, recorrendo a tecnologia multiespectral. É o segundo de dois satélites desta classe a entrar em órbita no âmbito da Agenda New Space. Em paralelo, estão em desenvolvimento mais dois satélites óticos VHR, numa parceria entre o CEiiA, a N3O e a empresa alemã OHB, para reforçar a cadeia industrial nacional no domínio da observação da Terra.
LusoSpace e as comunicações marítimas
Os quatro satélites da LusoSpace integram a Constelação Lusíada e têm foco específico nas comunicações marítimas, no âmbito da missão VDES (VHF Data Exchange System). Financiados pelo PRR no quadro da Agenda New Space, destinam-se a monitorizar e a reforçar as comunicações em ambiente oceânico, um domínio crítico para um país com a extensão marítima de Portugal.
Acordo Satellogic-N3O-Geosat: o lado industrial
No mesmo dia do lançamento, também em Vandenberg, será formalizado um acordo de cooperação entre a empresa argentina Satellogic, a N3O e a Geosat. O acordo cobre novas tecnologias para satélites e subsistemas, bem como serviços downstream no âmbito do Atlantic Data Hub. O momento não é casual: a assinatura simultânea ao lançamento reforça que a estratégia espacial portuguesa combina capacidade técnica com a consolidação de parcerias industriais e comerciais.
A Constelação do Atlântico em perspetiva
A Constelação do Atlântico opera sob a gestão da Geosat e está concebida para 12 satélites, entre óticos e radar, com capacidade de revisitar áreas de interesse com uma recorrência aproximada de três horas. Com os seis satélites de hoje, o total em órbita sobe de três para nove. Os dados gerados vão alimentar aplicações em resposta a catástrofes, agricultura de precisão, monitorização ambiental, mapeamento de carbono e segurança e defesa.
A Agenda New Space Portugal prevê ainda o desenvolvimento de uma Base Espacial nos Açores, que coloca Portugal como hub atlântico para lançamentos europeus, numa componente coordenada pela Força Aérea Portuguesa.
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