A Motorola tem sido, durante anos, aclamada pela sua abordagem limpa ao Android, oferecendo uma experiência de software que muitos puristas elogiam. No entanto, parece que a fabricante está agora a seguir um caminho perigoso, manchando essa reputação imaculada com práticas de bloatware altamente questionáveis. A mais recente controvérsia envolve a instalação forçada e oculta da aplicação da Amazon Shopping nos smartphones dos utilizadores.
Se pensavas que comprar um telemóvel livre de operadora te salvaria do pesadelo do software indesejado, desengana-te. Vários relatos recentes, suportados por investigações aprofundadas, revelam que a Motorola está a recorrer a táticas furtivas para empurrar aplicações de terceiros sem o consentimento explícito de quem comprou o dispositivo. É uma jogada que está a deixar a comunidade Android indignada e com razão.

O que agrava a situação é a forma dissimulada como isto acontece. Não se trata apenas de encontrar a app já instalada quando ligas o telemóvel pela primeira vez, mas sim de uma aplicação de sistema, mascarada com outro nome, que tem o poder de instalar outras apps em segundo plano, contornando a Google Play Store. É uma prática que roça o comportamento de malware e que levanta sérias questões de privacidade e segurança.
O truque do “Mobile Services” para forçar apps
A raiz deste problema está numa aplicação de sistema instalada de fábrica nos dispositivos Motorola, ironicamente batizada de “Mobile Services” (Serviços Móveis). À primeira vista, soa a algo essencial para o funcionamento do telemóvel, mas a realidade é bem mais sombria. Esta app serve, na verdade, como um cavalo de Tróia silencioso para instalar software de parceiros comerciais, neste caso, a Amazon.
Ao que parece, a Motorola firmou um acordo lucrativo com a gigante do retalho e, para garantir que a aplicação chega ao maior número possível de utilizadores, recorre a esta tática agressiva. O “Mobile Services” atua de forma autónoma, sem pedir autorização, descarregando e instalando a app da Amazon Shopping sem qualquer notificação. Para piorar, a app do sistema não pode ser desinstalada, apenas desativada com algum esforço.
É no mínimo preocupante ver uma marca de renome recorrer a este tipo de estratégias. Os utilizadores pagam bom dinheiro pelos seus equipamentos e esperam ter controlo sobre o que é instalado neles. Esta invasão de privacidade quebra a confiança e desvaloriza a experiência de utilização, manchando o histórico de software “quase puro” pelo qual a Motorola era conhecida.
Como impedir esta instalação furtiva no teu Motorola
Se tens um smartphone Motorola recente, é provável que estejas vulnerável a este comportamento. Felizmente, existe uma forma de travar esta instalação abusiva, mas exige que mergulhes um pouco nas definições do teu telemóvel. O processo não é óbvio, o que demonstra a intenção da marca em manter esta prática escondida do utilizador comum.
Para recuperares o controlo do teu dispositivo e impedires que o “Mobile Services” faça das suas, segue estes passos para revogar as permissões e desativar a app problemática:
- Acede às Definições do teu smartphone Motorola.
- Toca em Aplicações e, de seguida, em Ver todas as aplicações.
- Toca nos três pontos no canto superior direito e seleciona Mostrar sistema.
- Procura por Mobile Services na lista (poderá também chamar-se AppBox ou ter um ícone genérico).
- Toca na aplicação e, em seguida, seleciona Desativar. Confirma a ação.
Ao desativar esta aplicação de sistema, garantes que o telemóvel deixa de ter permissão para instalar aplicações em segundo plano sem o teu conhecimento. É uma medida de segurança essencial para protegeres a tua privacidade e manteres o teu smartphone livre de bloatware imposto pela marca. Resta saber se a Motorola vai ouvir as queixas dos utilizadores e mudar de rumo, ou se esta prática agressiva veio para ficar.
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