Se estavas a contar os trocos para deitar as mãos aos primeiros smart glasses da Apple já no próximo ano, trazemos más notícias. A tão aguardada entrada da marca da maçã no mundo dos óculos inteligentes acaba de sofrer um novo solavanco no seu calendário de lançamento.
Segundo as mais recentes fugas de informação reveladas pelo conhecido jornalista e leaker Mark Gurman, da Bloomberg, o lançamento destes óculos foi atirado para o final de 2027. Inicialmente, as expectativas da indústria apontavam para um anúncio no final deste ano e uma chegada às prateleiras logo no início do próximo.
Este atraso é, no mínimo, frustrante para os entusiastas da marca, mas acaba por dar à concorrência, nomeadamente à Meta e à Google, uma margem de manobra valiosa para consolidarem o seu domínio num mercado que cresce a olhos vistos.

Um revés no desenvolvimento da inteligência artificial visual
Os óculos, conhecidos internamente pelo misterioso nome de código “N50”, não estão a ter um parto fácil. A principal razão para este adiamento parece estar intimamente ligada ao desenvolvimento da nova geração da Siri e das capacidades de inteligência artificial visual da empresa. A Apple deparou-se com alguns solavancos estruturais no desenvolvimento, percebendo que a tecnologia ainda não está madura o suficiente para atingir o seu padrão de exigência.
Como já é apanágio da gigante de Cupertino, a estratégia passa por chegar tarde, mas em força. A marca recusa-se a lançar um wearable que não esteja perfeitamente oleado no seu ecossistema, sendo prioritário garantir que a integração da Apple Intelligence e o processamento multimodal da assistente virtual funcionem de forma absolutamente irrepreensível na vida real.
O que esperar dos futuros óculos da gigante de Cupertino
Se estavas à espera de uma verdadeira revolução de realidade aumentada (AR) com ecrãs holográficos nas lentes logo na primeira geração, podes tirar o cavalinho da chuva. A abordagem inicial será muito mais conservadora e focada na utilidade prática, espelhando aquilo que a Meta tem feito de forma brilhante com os seus populares Ray-Ban.
A ideia central é criar um acessório de moda que as pessoas queiram genuinamente usar, e não um gadget pesado ou complexo de operar. Para teres uma noção mais clara do hardware que está em cima da mesa para este futuro equipamento, eis os principais detalhes já conhecidos:
- Design e estética: Molduras feitas à medida com recurso a plásticos premium, estando em fase de testes formatos retangulares, ovais e circulares.
- Cores disponíveis: Esperam-se opções sóbrias e elegantes para o dia a dia, como preto, azul-oceano e castanho-claro.
- Hardware fotográfico: Módulos de câmara discretos de formato oval, pensados para captação de fotos e análise visual contínua do ambiente envolvente.
- Áudio integrado: Microfones e altifalantes de alta fidelidade para chamadas, interação fluida com a Siri e audição de música.
- Preço estimado: A marca deverá apontar para a faixa dos 200 aos 500 dólares, tornando o produto relativamente acessível dentro do seu segmento.
A estratégia de mercado à la Apple Watch
A Apple não costuma dar ponto sem nó, e a estratégia de massificação para estes smart glasses baseia-se num manual de sucesso bem conhecido internamente: o do Apple Watch. O objetivo final não é apenas vender uma peça de tecnologia avulsa, mas sim canibalizar progressivamente a indústria tradicional de óculos, um mercado global avaliado na impressionante fasquia dos 200 mil milhões de dólares.
Com o atual CEO Tim Cook a tratar este projeto como uma prioridade de legado e o seu sucessor, John Ternus, profundamente envolvido na liderança do desenvolvimento, as fichas estão todas na mesa. A fabricante quer que uses os seus óculos com a mesma naturalidade com que calças uns ténis ou pões um relógio no pulso, substituindo as tuas vulgares armações graduadas por um dispositivo inteligentemente conectado.
Ainda falta muito tempo até ao último trimestre de 2027 e, até lá, a paciência será mesmo a tua melhor aliada. Resta perceber se, quando a Apple finalmente descer à arena dos wearables faciais, não estará já demasiado atrasada para apanhar o veloz comboio liderado por Mark Zuckerberg.
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