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Investigadora acusa Harvard de travar investigação ao Facebook após doação de Zuckerberg

Jorge Montez por Jorge Montez
05/12/2023
Em Notícias

Uma antiga investigadora de Harvard acusa a Universidade de travar investigação ao Facebook depois de ter recebido 500 milhões da fundação de Zuckerberg.

Investigação ao facebook

Joan Donovan, uma investigadora que se dedica ao estudo da desinformação, apresentou uma denúncia contra a Universidade de Harvard, alegando que a instituição limitou a sua liberdade de expressão e desmantelou a sua equipa de investigação.

Segundo Donovan, estas ações ocorreram depois de ela ter iniciado uma análise de dados sobre o Facebook, a maior rede social do mundo.

A denúncia de Donovan surge na sequência de uma doação de 500 milhões de dólares (cerca de 440 milhões de euros) feita a Harvard por uma fundação dirigida por Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, e a sua esposa, Priscilla Chan. A doação foi anunciada em agosto deste ano, pouco depois de Donovan ter deixado a universidade.

Donovan pede que o caso seja investigado pelo conselho geral de Harvard, pelo gabinete do procurador-geral de Massachusetts e pelo Departamento de Educação dos EUA. A investigadora considera que houve uma “influência inapropriada” por parte dos doadores sobre a universidade.

Harvard nega e diz que não houve interferência dos doadores

A Universidade de Harvard, através da sua Kennedy School, onde Donovan trabalhava, negou as acusações da investigadora e afirmou que não houve qualquer tratamento injusto ou interferência dos doadores na sua abordagem à investigação.

“A narrativa está cheia de imprecisões e insinuações infundadas, particularmente a sugestão de que a Harvard Kennedy School permitiu que o Facebook ditasse a sua abordagem à investigação”, disse o porta-voz da instituição, James F. Smith, em comunicado.

A Kennedy School explicou ainda que a doação de Zuckerberg foi para a Universidade de Harvard, para uma iniciativa sobre inteligência artificial não relacionada com o trabalho de Donovan, que implicava uma investigação ao Facebook. Além disso, esclareceu que Donovan não era membro do corpo docente, mas sim da equipa de investigação, e que todos os projetos de investigação na escola devem ser liderados por membros do corpo docente.

A escola disse que tentou encontrar outro docente que pudesse liderar o projeto de Donovan, mas que não conseguiu, e que por isso o projeto teve de ser encerrado. A maioria dos membros da equipa de investigação permaneceu em funções, segundo a Kennedy School.

Donovan diz que foi impedida de investigar os Arquivos do Facebook

Donovan, que é agora professora assistente na Universidade de Boston, disse que foi contratada por Harvard em 2018, onde liderou o Projeto de Investigação em Tecnologia e Mudança Social. Em maio de 2020, foi promovida a diretora de investigação do Shorenstein Center da Kennedy School, onde também lecionou.

A investigadora disse que o seu trabalho começou a ser dificultado em outubro de 2021, quando começou a fazer planospara avançar com uma investigação ao Facebook, nomeadamente os chamados Arquivos do Facebook, que foram reunidos por uma ex-funcionária da empresa, Frances Haugen, para denunciar os danos públicos causados pela rede social.

Os documentos revelaram que o Facebook sabia que tinha radicalizado as pessoas, que os seus algoritmos fomentavam a animosidade racial, que encorajavam a limpeza étnica e que prejudicavam a saúde mental dos adolescentes. O Facebook negou as acusações de Haugen e disse que ela estava a exagerar.

“Eu acreditava, honestamente, que esses eram os documentos mais importantes da história da Internet”, disse Donovan, numa entrevista.

Recusa indemnização para não ser “cumplice”

Donovan contou que ficou impedida de contratar e de começar projetos, que viu a sua angariação de fundos interrompida, e que foi proibida de realizar conferências com mais de 30 participantes ou lançar um podcast. Tudo, afirma, porque começou a sua investigação ao Facebook.

A investigadora disse ainda que o seu contrato foi encurtado e que recusou uma indemnização porque sentiu que seria cúmplice “se recebesse uma recompensa pelo silêncio”.

Donovan garantiu que não tinha conhecimento de qualquer procura por alguém para assumir a chefia do projeto de investigação que fundou e para o qual disse ter conseguido 12 milhões de dólares.

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Jorge Montez

Jorge Montez

é um dos fundadores do TecheNet, juntamente com Alfredo Beleza. Jornalista freelance, colaborou com conteúdos multimédia para alguns dos principais média portugueses. Foi redator, repórter e editor de jornais nacionais. Vencedor do Prémio Jornalismo / Média 2017 da Associação Portuguesa de Museologia

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