A guerra da próxima geração de consolas já começou nos laboratórios. Numa jogada estratégica que visa aguçar o apetite dos jogadores e dos programadores, a Sony e a AMD desvendaram os primeiros detalhes da arquitetura gráfica que irá alimentar a futura PlayStation 6 (PS6).
Num vídeo detalhado, o arquiteto-chefe da PS5, Mark Cerny, e Jack Huynh, da AMD, apresentaram um trio de tecnologias de GPU (unidade de processamento gráfico) de ponta. O foco não é apenas aumentar a potência bruta, mas sim tornar a renderização gráfica mais inteligente e eficiente, permitindo efeitos visuais de ultra-realismo, como o ray tracing, sem sacrificar a fluidez do jogo.

O coração da PS6: o trio de inovações da AMD
A base da PS6 será o conjunto de três novas tecnologias de GPU que prometem um salto de desempenho significativo em relação à geração atual.
1. Radiance Cores: o fim do ‘lag’ no Ray Tracing
O maior avanço é a introdução dos Radiance Cores. O ray tracing (ou traçado de raios), a técnica que simula o comportamento real da luz para criar sombras, reflexos e iluminação fotorealistas, é extremamente exigente em termos de processamento. Nas consolas atuais, esta tarefa consome uma fatia massiva dos recursos do GPU.
Os Radiance Cores são blocos de hardware dedicados a lidar exclusivamente com o ray tracing e os cálculos de path tracing (traçado de caminhos). Ao descarregar esta matemática pesada dos núcleos principais do GPU, a PS6 pode renderizar gráficos mais detalhados e visuais de topo sem a quebra de desempenho que vemos nas consolas atuais.
2. Neural Arrays: o poder da IA nos gráficos
Os Neural Arrays (Matrizes Neurais) representam a aposta da Sony na inteligência artificial para melhorar a eficiência gráfica. Esta tecnologia liga as unidades de processamento do GPU numa poderosa rede de IA, o que é crucial para otimizar a renderização e potenciar técnicas avançadas de upscaling (como o FSR ou o futuro equivalente da Sony). Isto garantirá que a PS6 conseguirá correr jogos a altas resoluções (ecrãs grandes) com uma qualidade de imagem superior e uma frame rate consistente.
3. Universal Compression: o “truque” da eficiência de memória
Por fim, o Universal Compression é uma inovação desenhada para resolver um problema crónico: a limitação da largura de banda da memória. Esta tecnologia irá comprimir inteligentemente todos os tipos de dados do GPU. Ao reduzir a quantidade de dados que precisa de ser enviada entre a memória e o processador, a PS6 liberta largura de banda, o que se traduz em mais detalhe, frame rates mais elevadas e maior eficiência energética.
O futuro da PlayStation portátil: o chip “Canis”
Para além da PS6 de sala, Cerny e Huynh também deixaram um vislumbre do futuro dos dispositivos portáteis da PlayStation. O sucessor do PlayStation Portal, a rumorejada consola portátil PS6, poderá ser alimentado pelo processador AMD “Canis” APU, equipado com gráficos RDNA 5.
Este hardware portátil é estimado para ter um poder de ray tracing que excede o da PS5 original. Os rumores apontam que esta consola portátil suportaria a retrocompatibilidade total com a PS4 e a PS5, ofereceria haptics avançados, e incluiria opções de expansão como armazenamento M.2 e cartões microSD.
O aviso: ainda é tudo uma simulação
Apesar de todo o entusiasmo gerado pela revelação destas tecnologias (Radiance Cores, Neural Arrays e Universal Compression), Mark Cerny e Jack Huynh fizeram questão de sublinhar que estas inovações ainda se encontram em fase de simulação inicial e não estão finalizadas.
Isto significa que, embora a Sony e a AMD tenham a fundação e a visão para a próxima geração, a engenharia real e o produto final ainda podem sofrer alterações significativas. No entanto, o anúncio é uma forte declaração para a concorrência e uma promessa excitante para os jogadores: a PS6 está a ser desenhada para levar o fotorrealismo e a eficiência gráfica para um novo patamar.
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