A tese de crescimento infinito do setor tecnológico esbarra na nova análise do Goldman Sachs, que considera a atual vaga de IA precificada nas ações de forma quase total. Num relatório que arrefece o entusiasmo de Wall Street, os analistas do banco defendem que as cotações atuais já absorveram as expectativas mais otimistas de lucros futuros, deixando os investidores expostos a um cenário de recompensa assimétrica: pouco espaço para valorizar, muito espaço para corrigir.

O Nasdaq 100 e o S&P 500 surfaram a onda da Inteligência Artificial Generativa, mas o movimento de alta parece ter esgotado o seu “combustível” fundamental. A euforia inicial transformou-se numa certeza matemática nos modelos de avaliação: o mercado não está a pagar pelo que as empresas valem hoje, mas pelo que poderão valer daqui a cinco ou dez anos. Quando a expectativa se torna o preço base, qualquer desvio na execução operacional das empresas resulta em correções violentas.
O perigo de uma IA precificada nas ações com excesso de otimismo
A equipa liderada por Peter Oppenheimer argumenta que o ciclo atual difere das bolhas tecnológicas do passado não pela falta de substância tecnológica – a IA é real e transformadora -, mas pela velocidade com que o mercado descontou esse impacto. O problema reside nos múltiplos de avaliação (Price-to-Earnings). As empresas de referência no setor negoceiam a valores que exigem um crescimento de lucros quase irrepreensível para se justificarem.
Esta compressão dos prémios de risco significa que o “dinheiro fácil” já foi feito. Quem entra agora no mercado compra ativos caros, onde a margem de segurança é inexistente. O Goldman Sachs sublinha que a fase de “expansão de múltiplos” (onde o otimismo faz subir os preços independentemente dos lucros) terminou. Entramos agora na fase de “justificação de lucros”, onde a engenharia financeira cede lugar à necessidade de cash flow real.
Seletividade: O fim da “maré que levanta todos os barcos”
Se o boom genérico acabou, a estratégia de investimento obriga a uma mudança de paradigma. Comprar índices passivos ou cabazes tecnológicos indiscriminados torna-se uma estratégia de alto risco. A análise sugere que o valor, a existir, migrará para:
- Infraestrutura “Pick and Shovel”: Empresas que fornecem a energia e o hardware essencial, cujos contratos já estão assinados.
- Beneficiários de Segunda Linha: Setores tradicionais que aumentarão as margens de lucro através da eficiência da IA, e que ainda não viram as suas ações disparar.
Conclusão
O alerta do Goldman Sachs serve como um banho de realidade: a revolução tecnológica não garante, por si só, retornos bolsistas perpétuos. Com a IA precificada nas ações aos níveis atuais, o investidor deixa de ser um visionário para se tornar um refém da execução perfeita. O mercado antecipou a festa, e a fatura, sob a forma de cotações exigentes, já está na mesa. Resta saber se os lucros das empresas terão força para a pagar.
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