Durante anos, a Apple foi o “gorila” na sala das negociações tecnológicas. Como o maior comprador de componentes do mundo, a empresa de Cupertino usava o seu volume de encomendas massivo para ditar preços e esmagar as margens dos fornecedores. Mas em 2026, o jogo mudou. Numa reviravolta rara e significativa, a Apple foi forçada a “dobrar o joelho” perante a Samsung e a SK Hynix, aceitando aumentos de preço que chegam aos 100% para a memória RAM dos seus iPhones.
Este desenvolvimento, reportado pelo ZDNet Korea, marca o fim de uma era em que os compradores detinham todo o poder. A escassez de oferta e a explosão da Inteligência Artificial criaram uma tempestade perfeita que devolveu a alavancagem aos fabricantes de chips, com consequências que poderão chegar ao bolso dos consumidores.
O ultimato da Samsung e SK Hynix
As negociações para o fornecimento de memória LPDDR (Low-Power DRAM), essencial para o funcionamento eficiente dos smartphones, foram descritas como invulgares.
- Samsung Electronics: Propôs um aumento de 80% no preço.
- SK Hynix: Foi ainda mais longe, exigindo um aumento de quase 100%.
Surpreendentemente, a Apple aceitou ambas as propostas. A razão? Não tinha escolha. A situação de fornecimento global está tão apertada que a alternativa seria não ter chips suficientes para fabricar os milhões de iPhones que a empresa vende trimestralmente.

A culpa é da IA (novamente)
O que causou esta subida vertiginosa? A resposta reside na reconfiguração das linhas de produção globais. Os fabricantes de memória estão a desviar massivamente a sua capacidade de produção para a HBM (High Bandwidth Memory), o tipo de memória ultra-rápida e ultra-cara usada nos servidores de IA da Nvidia e Google.
Como a HBM é muito mais lucrativa, a produção de LPDDR “standard” para telemóveis foi reduzida, criando uma escassez artificial. Com menos oferta disponível, o preço disparou, e nem a Apple conseguiu escapar à lei da oferta e da procura.
Contratos curtos e o perigo para o iPhone 18
Outro sinal de instabilidade é a duração dos contratos. Habitualmente, a Apple assina contratos anuais de fornecimento a longo prazo para garantir preços estáveis. Este ano, os acordos foram finalizados apenas para a primeira metade de 2026.
Isto deixa a porta aberta para novos aumentos de preço na segunda metade do ano, precisamente na altura crítica em que a Apple começa a produção em massa da série iPhone 18 Pro. Se os preços continuarem a subir, a Apple terá de decidir se absorve esses custos (reduzindo as suas margens de lucro lendárias) ou se aumenta o preço final dos iPhones para o consumidor.
O fosso está a fechar-se
Apesar destes aumentos brutais, as fontes indicam que a Apple ainda paga menos pela memória do que a maioria dos seus concorrentes, mantendo alguma vantagem competitiva. No entanto, o fosso de preço entre a Apple e as outras marcas estreitou-se significativamente.
A reação do mercado financeiro foi imediata: as ações da SK Hynix subiram mais de 8% e as da Samsung quase 4%, sinalizando que os investidores aprovam esta nova postura de força dos fornecedores. Com a TrendForce a prever aumentos gerais de 60% no mercado de DRAM este trimestre, a era dos componentes baratos acabou oficialmente.
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