A Nothing, a empresa tecnológica londrina liderada por Carl Pei, decidiu quebrar uma das regras não escritas da indústria dos smartphones: a obrigatoriedade do lançamento anual de um topo de gama. Num vídeo de atualização estratégica divulgado esta quinta-feira, o CEO confirmou que não haverá um “Nothing Phone (4)” em 2026.
O atual Nothing Phone (3) manter-se-á como o porta-estandarte da marca durante todo o ano. Esta decisão reflete uma mudança de filosofia na empresa, que afirma ter entrado na sua “Fase 2”, focada na maturidade e na escala, em vez de seguir cegamente o calendário frenético da indústria. A ideia é garantir que cada novo flagship represente um salto significativo e não apenas uma atualização incremental de especificações.
Aposta na gama média: o Phone (4a) vem aí
Se o topo de gama fica na gaveta, a gama média ganha o protagonismo. Pei confirmou que a Nothing vai atualizar a sua linha mais acessível com o lançamento do Nothing Phone (4a).
O CEO descreve este dispositivo não como uma atualização menor, mas como um “upgrade completo” sobre a série Phone (3a). As promessas incluem melhorias substanciais no design (com experiências de cor mais ousadas), materiais, ecrã, câmara e desempenho. Com o sucesso comercial da linha “a”, esta parece ser a aposta da Nothing para gerar volume de vendas e receitas em 2026.

O custo da IA: preços vão subir
Há, no entanto, más notícias para a carteira dos consumidores. Carl Pei abordou de frente a questão da inflação dos componentes, alertando que os preços dos smartphones da Nothing deverão aumentar.
A culpa é atribuída à “fome” de Inteligência Artificial. A procura massiva por memória RAM para alimentar servidores de IA fez disparar os custos globais destes componentes. Pei explicou que as marcas enfrentam um dilema: cortar nas especificações ou aumentar o preço. A Nothing escolheu o segundo caminho, recusando comprometer a experiência do utilizador com hardware inferior, mas passando a fatura do armazenamento UFS 3.1 e da RAM mais cara ao consumidor.
Áudio e Software: o futuro é “Essential”
Para além dos telemóveis, 2026 será o ano do áudio para a Nothing. Após o sucesso crítico e comercial dos Nothing Headphone (1), a empresa vai “dobrar a aposta” na categoria de auscultadores over-ear, identificando-a como uma área chave de crescimento.
No software, a inovação continua com o Nothing OS 4.0 e a introdução das “Essential Apps”. Esta funcionalidade, descrita como revolucionária, permitirá aos utilizadores criar aplicações e widgets funcionais apenas descrevendo o que querem, sem escrever uma linha de código. Atualmente em fase alfa, esta ferramenta de IA será, inicialmente, exclusiva do Phone (3).
Uma empresa de mil milhões
O vídeo serviu também para celebrar marcos importantes. A Nothing atingiu o estatuto de “Unicórnio” (avaliação superior a mil milhões de dólares), ultrapassou mil milhões em vendas acumuladas e angariou 200 milhões em financiamento.
Com uma nova sede em King’s Cross, Londres, e a abertura da sua segunda loja física em Bengaluru, na Índia (a 14 de fevereiro), a Nothing entra em 2026 com uma estratégia de contenção no topo, mas de expansão agressiva na base e no ecossistema.
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