Se achavam que a história do “Trump T1 Phone” não podia ficar mais surreal, preparem-se. Ainda sem ter entregue uma única unidade das 590 mil pré-encomendas alegadamente pagas, a Trump Mobile decidiu dobrar a aposta. Num movimento que desafia a lógica empresarial tradicional (mas talvez não a política), um executivo da empresa anunciou que já está a caminho um modelo mais avançado: o Trump T1 Ultra.
A revelação foi feita por Don Hendrickson, executivo da Trump Mobile, numa entrevista à revista Wireless Dealer Magazine. Hendrickson descreveu o lançamento do T1 Ultra como o “próximo grande passo”, afirmando, sem ironia aparente, que este novo modelo irá construir sobre o “sucesso” do T1 original.
O “sucesso” invisível de 59 milhões de dólares
A definição de “sucesso” aqui é, no mínimo, criativa. O Trump T1 Phone original deveria ter sido lançado em agosto de 2025. Falhou essa data. Falhou a data de outubro. E falhou a data de novembro. Até hoje, início de fevereiro de 2026, nenhum cliente recebeu o dispositivo.
No entanto, do ponto de vista financeiro, a operação é um triunfo. Estima-se que a empresa tenha recolhido 59 milhões de dólares em depósitos de 100 dólares de apoiantes fiéis. Anunciar um modelo “Ultra” neste momento pode ser visto como uma jogada de génio financeiro: abrir uma nova linha de receita premium para uma base de clientes que já provou estar disposta a pagar por uma promessa patriótica, mesmo sem ver o produto final.

Um design que muda conforme o vento
A credibilidade do projeto é minada pelas constantes mudanças nas especificações e no design. O T1 começou com imagens que pareciam um iPhone dourado, depois mudou para renders que eram claramente um Samsung Galaxy S25 Ultra com um logótipo sobreposto.
As especificações também encolheram:
- Ecrã: Passou de 6.78 polegadas para 6.25 polegadas.
- Processador: Rumores apontam para um modesto Snapdragon 6 Gen 1, longe de ser um topo de gama.
A introdução de um modelo “Ultra” sugere uma tentativa de justificar um preço mais elevado, possivelmente prometendo as especificações que o modelo base falhou em entregar.
Investigação federal e o silêncio de Tim Cook
O caso já atraiu a atenção de legisladores democratas, que pediram à FTC (Comissão Federal de Comércio) para investigar se esta operação não passa de um esquema fraudulento.
A ironia final é que até Tim Cook, CEO da Apple, tem mantido uma relação próxima com a administração Trump. Talvez, como sugere o artigo, haja algo a aprender com uma empresa que consegue gerar 59 milhões em vendas sem ter de lidar com a maçada de fabricar, enviar ou sequer desenhar um produto real.
Outros artigos interessantes:










