O ecossistema de comunicações da Meta está prestes a sofrer uma das suas transformações mais drásticas dos últimos anos. Se és daquelas pessoas que prefere manter as tuas conversas organizadas numa janela independente, longe do “ruído” do feed de notícias, temos más notícias para ti. A empresa liderada por Mark Zuckerberg confirmou que o site independente messenger.com vai deixar de funcionar em abril de 2026, encerrando um capítulo que durava há mais de uma década.
Esta decisão não surge de forma isolada, mas sim como a peça final de um puzzle que a Meta tem estado a montar nos últimos meses. Depois de ter descontinuado as aplicações nativas para Windows e macOS, a gigante tecnológica prepara-se agora para “puxar a ficha” à última resistência do Messenger como serviço autónomo no desktop.
O fim de uma era de independência digital
Lançado originalmente em 2011 como uma tentativa de transformar o chat do Facebook numa plataforma de comunicação capaz de rivalizar com o WhatsApp (que a empresa ainda não tinha comprado na altura), o Messenger viveu anos de glória como uma entidade separada. Em 2014, a Meta chegou mesmo a forçar os utilizadores a descarregar a aplicação móvel dedicada, removendo as mensagens da aplicação principal do Facebook.
Agora, o ciclo inverte-se. A partir de abril de 2026, sempre que tentares aceder ao portal do Messenger através do teu navegador, serás automaticamente redirecionado para a interface de mensagens dentro do facebook.com. Esta mudança marca o regresso oficial do serviço às suas origens, quando ainda era conhecido apenas como “Facebook Chat”.

O que acontece se não usas o Facebook?
Esta é a questão que está a gerar mais polémica entre a comunidade tecnológica. Muitos utilizadores mantêm as suas contas de Messenger ativas, mas desativaram os seus perfis de Facebook há anos para evitar distrações ou por questões de privacidade. Com o encerramento do site dedicado, estes utilizadores ficam num “limbo” digital.
De acordo com as informações disponibilizadas na página de suporte da Meta, se utilizas o Messenger sem uma conta de Facebook ativa, a tua única alternativa para continuar a conversar será através da aplicação móvel oficial em dispositivos iOS ou Android. No computador, a porta fecha-se definitivamente. Se insistires em usar o PC para escrever, terás de reativar o teu perfil na rede social principal, algo que muitos utilizadores já garantiram nas redes sociais que não estão dispostos a fazer.
Gestão de custos e simplificação de infraestrutura
Do ponto de vista empresarial, a estratégia da Meta é clara: redução de custos operacionais. Manter múltiplas plataformas (site do Messenger, site do Facebook, aplicações desktop e aplicações móveis) exige equipas de engenharia dedicadas, atualizações de segurança constantes e uma infraestrutura de servidores complexa.
Ao centralizar tudo sob o domínio do Facebook, a empresa consegue simplificar a manutenção do código e, simultaneamente, tentar aumentar o tempo de permanência dos utilizadores na sua rede social principal. É uma manobra clássica de retenção: se fores obrigado a ir ao Facebook para ler uma mensagem, as probabilidades de acabares a fazer “scroll” no feed aumentam exponencialmente.
A segurança das tuas conversas continua garantida
Apesar desta mudança estrutural, a Meta assegura que a transição não afetará a integridade dos teus dados. O histórico de conversas será preservado, desde que utilizes o código PIN de segurança que configuraste quando a empresa implementou a cópia de segurança encriptada. Se por acaso te esqueceste desse código, o conselho é que o indexes ou o redefinas o quanto antes através das definições da aplicação móvel, para evitar surpresas desagradáveis quando o site for desativado.
A reação da comunidade tem sido maioritariamente negativa. O engenheiro Alessandro Paluzzi, conhecido por antecipar funcionalidades de redes sociais, foi um dos primeiros a notar os avisos que agora começam a aparecer aos utilizadores. Em fóruns como o Reddit, a frustração é evidente, com centenas de queixas sobre a perda de uma interface limpa e focada exclusivamente na produtividade e na comunicação.
A contagem decrescente já começou. Tens pouco mais de um ano para te habituares à ideia de que o Messenger deixará de ser um destino independente na web, voltando a ser apenas um “anexo” da maior rede social do mundo.
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