A Google lançou o Gemini 3.1 Pro, o novo núcleo de inteligência do seu ecossistema de IA, disponível em preview a partir desta semana para developers, empresas e utilizadores dos planos pagos do Gemini app e do NotebookLM. O modelo sucede ao Gemini 3 Pro, lançado em novembro de 2025, e passa a servir de base comum para toda a família de produtos Gemini, desde aplicações de consumo até plataformas enterprise e ferramentas para programadores.

Um salto no raciocínio
O principal argumento técnico da Google centra-se no desempenho do modelo no benchmark ARC-AGI-2, um teste que avalia a capacidade de resolver padrões lógicos inteiramente novos. O Gemini 3.1 Pro obteve uma pontuação verificada de 77,1%, o que a empresa descreve como mais do dobro do desempenho do Gemini 3 Pro no mesmo teste.
A Google apresentou quatro categorias de aplicação para ilustrar as capacidades do novo modelo.
| Capacidade | Descrição |
|---|---|
| Animação em código | Geração de SVGs animados, prontos para web, a partir de texto; ficheiros em código puro, sem pixels |
| Síntese de sistemas complexos | Construção de um dashboard aeroespacial em tempo real, com dados de telemetria da Estação Espacial Internacional |
| Design interativo | Prototipagem de uma simulação 3D de uma murmuration de estorninhos, com rastreamento de mãos e trilha sonora generativa |
| Criação literária em código | Tradução de temas do romance Wuthering Heights num portfólio pessoal web, mantendo o tom atmosférico da obra |
As demonstrações são visualmente expressivas, mas o detalhe técnico que a Google avança é escasso – não há informação sobre latência, custos por token, janela de contexto ou comparações diretas com modelos concorrentes como o GPT-4.1 ou o Claude 3.7.
Disponibilidade: quem acede e como
O rollout decorre em simultâneo em múltiplas superfícies, com distinções claras entre perfis de utilizador.
Developers:
- Gemini API via Google AI Studio
- Gemini CLI
- Google Antigravity (plataforma de desenvolvimento agentic)
- Android Studio
Empresas:
Consumidores (planos pagos):
- Gemini app: planos Google AI Pro e Ultra, com limites de utilização mais elevados
- NotebookLM: exclusivo para subscritores Pro e Ultra
Utilizadores dos planos gratuitos ficam, por enquanto, de fora do acesso ao 3.1 Pro, o que reforça a tendência da Google de reservar os modelos mais capazes para os segmentos de maior valor comercial.
Preview e o que falta resolver
A Google é explícita: o Gemini 3.1 Pro chega em fase de preview, não como produto acabado. A empresa pretende validar as atualizações e avançar em domínios específicos antes de o tornar “generally available”.
Entre as áreas que a própria Google identifica como prioritárias para a fase seguinte estão os workflows agentic “ambiciosos” – ou seja, sequências de tarefas autónomas em que o modelo age como agente sem supervisão humana constante. Trata-se de um dos campos mais disputados entre os grandes laboratórios de IA, e onde a robustez e a fiabilidade ainda estão longe do que seria necessário para adoção generalizada em ambientes de produção críticos.
Mais relevante para equipas técnicas é o facto de o modelo ter sido construído sobre o ciclo de progresso da série Gemini 3. A Google refere que, desde o lançamento do Gemini 3 Pro em novembro, o ritmo de progresso e o feedback de utilizadores aceleraram as melhorias. O ciclo iterativo sugere que novas versões podem surgir com frequência elevada – o que é uma vantagem para utilizadores que querem o estado da arte, mas um desafio para organizações que precisam de estabilidade e previsibilidade em sistemas de produção.
Gemini 3.1 Pro: implicações para o ecossistema
O Gemini 3.1 Pro consolida a aposta da Google numa arquitetura de modelo único que serve consumidores, developers e empresas de forma unificada. A estratégia tem uma lógica clara: reduzir a fragmentação, simplificar a proposta de valor e criar um ponto de referência único de inteligência em todo o ecossistema.
O risco desta abordagem é a homogeneização: se o mesmo modelo está em tudo, as diferenciações entre produtos dependem cada vez menos da inteligência do modelo e cada vez mais da interface, da integração e dos dados de contexto disponíveis. Para concorrentes como a Anthropic ou a OpenAI, que mantêm famílias de modelos com especializações distintas, este ponto pode ser uma linha de ataque comercial relevante.
Destaques
- O Gemini 3.1 Pro obteve 77,1% no benchmark ARC-AGI-2, mais do dobro do Gemini 3 Pro anterior
- O modelo está disponível em preview a partir desta semana, sem data de lançamento geral confirmada
- O acesso para consumidores exige subscrição Google AI Pro ou Ultra
- Developers acedem via Gemini API, AI Studio, Antigravity, Gemini CLI e Android Studio
- Empresas podem testar via Vertex AI e Gemini Enterprise
- Os workflows agentic são identificados pela própria Google como área ainda em desenvolvimento
FAQ
O que é o Gemini 3.1 Pro e em que se distingue do Gemini 3 Pro?
O Gemini 3.1 Pro é a versão atualizada do núcleo de raciocínio da família Gemini 3, com melhorias declaradas em tarefas complexas. A Google alega mais do dobro do desempenho no benchmark ARC-AGI-2 face ao modelo anterior.
O Gemini 3.1 Pro está disponível de forma gratuita?
Não. O acesso no Gemini app e no NotebookLM está limitado aos planos pagos Google AI Pro e Ultra. Developers e empresas acedem em preview via Gemini API e plataformas como Vertex AI.
Quando é que o Gemini 3.1 Pro passa de preview para disponibilidade geral?
A Google não avançou uma data concreta. A empresa refere apenas que pretende validar as atualizações e aprofundar o desenvolvimento de workflows agentic antes de tornar o modelo “generally available”
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