O evento Galaxy Unpacked de ontem foi amplamente dominado por longas conversas e demonstrações sobre a Inteligência Artificial, com a Samsung a focar-se essencialmente em como o software pode mudar a forma como interagimos diariamente com os nossos telemóveis. Mas quase no final da apresentação, a marca sul-coreana decidiu guardar uma surpresa focada puramente no hardware e na fotografia nua e crua: a introdução do muito aguardado “Ocean Mode” (Modo Oceano) para a recém-anunciada série Galaxy S26. É, sem dúvida, uma novidade fantástica para os amantes da fotografia e da exploração, mas traz um pequeno “senão” técnico que te vai obrigar a abrir novamente a carteira.
Este novo modo de disparo está integrado diretamente na aplicação Expert RAW e fica disponível de imediato para todos os modelos da nova geração de 2026 — ou seja, quer compres o Galaxy S26 base, o Galaxy S26 Plus ou o todo-poderoso Galaxy S26 Ultra, terás acesso a esta funcionalidade. A ideia principal da Samsung é democratizar uma ferramenta visual que antes era exclusiva de equipamentos profissionais de mergulho muito caros, permitindo-te captar imagens e vídeos subaquáticos com uma qualidade, nitidez e precisão de cor absolutamente impressionantes. Mas antes de te atirares de cabeça para o mar com o teu novo e brilhante telemóvel, há um aviso crítico de segurança que precisas de interiorizar.

A ilusão do IP68 e o perigo da água salgada
É bem verdade que toda a linha Galaxy S26 vem equipada com a cobiçada certificação IP68, que garante a máxima proteção comercial contra a entrada de pó e danos causados por submersão na água. No entanto, e este é um erro que muitos consumidores cometem todos os verões, essa classificação é testada e garantida pelos fabricantes apenas para água doce e estática. Levar o teu smartphone de mil euros (ou muito mais, se falarmos da versão Ultra com 1 TB de armazenamento) para dar um mergulho nas ondas do mar ou nas águas profundas do oceano é, literalmente, brincar com o fogo.
A água salgada é o arqui-inimigo implacável de qualquer dispositivo eletrónico. Sendo um elemento altamente condutor e brutalmente corrosivo, ela acelera as reações eletroquímicas que corroem e destroem os vedantes de borracha do telemóvel, os contactos metálicos de carregamento, as delicadas grelhas dos altifalantes e as portas USB-C. E o pior é que o dano pode não ser imediato. Mesmo que a água não penetre instantaneamente no interior do dispositivo durante o mergulho, o invisível resíduo de sal que fica para trás após a secagem continuará a corroer os componentes internos de forma silenciosa e letal com o passar dos dias.
É exatamente por este motivo estrutural que, para usufruíres da magia do novo Ocean Mode, precisas obrigatoriamente de investir numa caixa de estanqueidade (housing case) própria para mergulho separada. Felizmente, não custam os olhos da cara. Encontras dezenas de boas opções à venda em lojas como a Amazon a rondar os 50 euros, e é um seguro incrivelmente barato para não destruíres o teu equipamento premium. Não faz sentido arriscares um telemóvel novinho em folha por não quereres comprar um acessório protetor.
Porque é que o Ocean Mode faz tanta diferença?
Mas afinal, porque é que o Ocean Mode é assim tão especial e necessário? A realidade é que a fotografia debaixo de água apresenta desafios óticos únicos e extremamente frustrantes que arruínam as captações da maioria dos smartphones comuns. A água absorve e dispersa a luz de forma muito diferente daquela a que estamos habituados no ar. À medida que desces na profundidade, os comprimentos de onda mais longos do espetro luminoso — como os vermelhos, laranjas e amarelos — começam a desaparecer e a ser absorvidos muito rapidamente, deixando-te sistematicamente com imagens monótonas, mortas e dominadas quase em exclusivo por tons azuis e verdes.

Além deste fenómeno de absorção, as minúsculas partículas em suspensão na água reduzem drasticamente o contraste e a nitidez da imagem captada. Em paralelo, o movimento constante das correntes marítimas e a ondulação podem causar um frustrante desfoque de movimento (motion blur), enquanto os reflexos da superfície da água complicam a composição da luz. As câmaras normais debatem-se imenso para conseguir reproduzir cores precisas e manter um brilho natural nestas condições adversas.
O Ocean Mode entra em ação para resolver de forma automática e inteligente exatamente estes problemas. Através da aplicação Expert RAW, o software avançado da Samsung aplica correções agressivas ao balanço de brancos e à perda de informação de cor, restaurando os tons quentes perdidos e fazendo com que as tuas fotos subaquáticas fiquem muito mais próximas daquilo que os teus olhos estão efetivamente a ver na vida real, devolvendo o vermelho aos corais e aos peixes.
Se fores de férias para um destino com águas cristalinas, esta ferramenta tem tudo para elevar as tuas memórias a outro patamar. Lembra-te apenas da regra de ouro recomendada: a tecnologia faz o trabalho pesado no processamento da imagem, mas cabe-te a ti garantir a segurança do aparelho. Com a caixa protetora certa, estarás pronto para dominar os mares com o teu novo Galaxy S26 e criar memórias invejáveis.
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